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Número de estrangeiros a contribuir para a Segurança Social cresce cinco vezes em 10 anos

O número de pessoas de nacionalidade estrangeira com contribuições pagas à Segurança Social aumentou cinco vezes entre dezembro de 2015 e dezembro de 2025, enquanto o valor dessas contribuições subiu oito vezes, segundo dados agora disponibilizados no site da instituição.

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A partir de hoje, os dados relativos à situação contributiva dos trabalhadores estrangeiros e aos apoios sociais que recebem passam a ser divulgados mensalmente, além dos já disponibilizados dados anuais.

Segundo a agência Lusa, em dezembro de 2025, havia cerca de 840 mil estrangeiros com contribuições pagas à Segurança Social, mais 3.375 face a dezembro de 2024, e 5,4 vezes mais do que os cerca de 156 mil registados em dezembro de 2015. Os estrangeiros representavam quase um quinto (17,6%) do total de pessoas com contribuições, enquanto há 10 anos o peso era de 4,5%.

Do total de 840 mil contribuintes estrangeiros, cerca de seis em cada dez (62,1%) eram homens, enquanto 37,9% eram mulheres. A maior fatia corresponde a cidadãos brasileiros (cerca de 309 mil), seguidos pelos indianos (58 mil) e pelos angolanos (54 mil).

Por setores de atividade, o maior número absoluto de trabalhadores estrangeiros encontra-se no alojamento e restauração (129 mil), seguido das atividades administrativas e dos setores de apoio (122 mil) e da construção (117 mil). Contudo, é no setor da agricultura, floresta e pesca que os estrangeiros representam o maior peso relativo, correspondendo a 41% dos trabalhadores.

O valor total das contribuições pagas por estrangeiros aumentou 8,5 vezes nos últimos 10 anos, passando de 491 milhões de euros em 2015 para 4.162 milhões de euros em 2025. O peso relativo dessas contribuições no total também subiu de 3,5% para 14%.

Quanto às prestações pagas a cidadãos estrangeiros, o número de beneficiários mais do que triplicou em 10 anos, de cerca de 61 mil em dezembro de 2015 para 213 mil em dezembro de 2025. Entre estas prestações incluem-se todas as pagas pela Segurança Social, quer financiadas por impostos, quer por contribuições e quotizações. No final do ano passado, os estrangeiros representavam cerca de 12,2% do total de beneficiários, comparado com 4% em 2015.

Tal como nas contribuições, a faixa etária mais representativa dos beneficiários estrangeiros é a dos 30 aos 39 anos. Por nacionalidade, os brasileiros lideram (98 mil beneficiários), seguidos pelos angolanos (15 mil) e cabo-verdianos (12 mil). O valor total das prestações a estrangeiros subiu de 137 milhões de euros em 2015 para 827 milhões em 2025, ou seja, sextuplicou, representando 11,4% do total das prestações pagas.

A secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, destacou que “a diferença entre as contribuições pagas e as prestações recebidas pelas pessoas de nacionalidade estrangeira é positiva”. Questionada sobre riscos de a disponibilização de dados ser vista como discriminatória, afirmou que “há sempre riscos”, mas que a publicação de informações de forma isenta e imparcial contribui para aumentar a literacia pública. Filipa Lima referiu ainda que a medida responde aos vastos pedidos de informação recebidos pelo ministério e à necessidade de transparência.

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