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Novo cone de conífera com 133 milhões de anos descoberto em Torres Vedras

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera no Cretácico Inferior, na região de Vale Cortiço, em Torres Vedras

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O fóssil, um cone masculino bem preservado com cerca de 133 milhões de anos, foi classificado como Classostrobus amealensis, nome derivado da localidade de Ameal, onde foi encontrado.

O cone apresenta microsporófilos imbricados dispostos helicoidalmente e grãos de pólen do género Classopollis, o que permitiu enquadrá-lo no género Classostrobus. Segundo Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa, “as floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae, atualmente extintas, e fundamentais para compreender as condições paleoclimáticas e os ecossistemas da época”.

Dentro desta família destacam-se os frenelopsídeos, pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis, plantas com grande capacidade de adaptação que habitavam desde ambientes semiáridos a áridos e, ocasionalmente, regiões interiores com condições mais amenas. “A presença destes pólenes característicos do género Classopollis é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos”, acrescenta o especialista.

A nova descoberta corresponde a uma estrutura reprodutiva masculina, complementando os restos vegetativos já conhecidos da flora de Vale Cortiço, particularmente da espécie Frenelopsis teixeirae, que é abundante nos níveis fossilíferos onde o cone foi encontrado. Estudos minuciosos por microscopia eletrónica de transmissão permitiram identificar que os pólenes produzidos pelo cone pertencem à espécie Classopollis martinottii, embora o cone não estivesse anexado a nenhum ramo vegetativo específico.

Os investigadores sugerem que Frenelopsis teixeirae dava origem aos cones da espécie Classostrobus amealensis, responsáveis pela produção dos pólenes de Classopollis martinottii.

O trabalho contou com a colaboração de equipas do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Holanda), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency. O estudo será publicado na edição de maio da revista internacional Cretaceous Research.

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