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“Não é o Velho Oeste da internet”: CEO do OnlyFans quer mudar perceções

No palco do Web Summit, Keily Blair, CEO da OnlyFans, conversou com Jeff Berman, anfitrião do podcast Masters of Scale, numa gravação ao vivo que explorou o poder da confiança e o papel da autenticidade na era da inteligência artificial.

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Com 400 milhões de utilizadores e 4 milhões de criadores de conteúdo, a OnlyFans é uma das plataformas mais conhecidas e, ao mesmo tempo, mais mal compreendidas, do mundo digital. A CEO, Keily Blair, reconhece essa perceção, mas não se deixa afetar.

“Não queremos ser a xícara de chá de toda a gente. Ficamos felizes em ser o copo de vinho de algúem”, afirmou, sublinhando que a empresa não procura agradar a todos, mas servir bem a sua comunidade.

A CEO destacou que o modelo de negócio da plataforma é motivo de orgulho, especialmente pelo foco na segurança e verificação dos criadores: “Não é o Velho Oeste da internet”, garantiu.

O processo de inscrição é rigoroso, exigindo identificação, dados bancários e número fiscal. O objetivo, segundo Keily Blair, é garantir que o conteúdo partilhado, sobretudo o adulto, seja seguro, consensual e responsável.

Além da dimensão económica, a líder da OnlyFans sublinhou o impacto social e a diversidade da comunidade, incluindo a forte presença de criadores LGBTQIA+. Curiosamente, revelou ainda que mantém um perfil na plataforma dedicado à apicultura — uma prova de que o espaço é mais amplo do que o seu estereótipo.

Keily Blair lamentou o sexismo com que frequentemente se depara, notando que as perguntas sobre criadoras femininas são constantes, enquanto os criadores masculinos raramente são mencionados.

Quando o tema passou para a inteligência artificial, a CEO foi clara: cada decisão da empresa deve beneficiar os criadores. Por isso, o OnlyFans não permite o uso de conteúdos gerados por IA, a menos que essa informação seja claramente comunicada aos seguidores.

“Quanto mais nos alimentarem IA, mais vamos desejar autenticidade”, afirmou.

Outro dado surpreendente revelado por Blair foi que a maior parte da receita da plataforma provém de compras únicas, e não de subscrições mensais, contrariando a ideia generalizada sobre o modelo do OnlyFans.

No final, a mensagem de Keily Blair foi simples, mas poderosa: a confiança é o bem mais valioso na economia digital, e cabe às plataformas garantir que essa confiança é baseada na transparência, na autenticidade e no respeito por quem cria.

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