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Miguel Guimarães: “Isto é um disparate, ninguém percebe o que o primeiro-ministro quer”

Este artigo tem mais de 3 anos

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera que “as marcas que Marta Temido deixou no SNS são negativas” e lembra que o programa do governo para a Saúde não foi aprovado por uma maioria dos portugueses, mas apenas pela maioria dos que votaram.

Um SNS desfeito é o que o bastonário da Ordem dos Médicos espera se António Costa mantiver as linhas orientadoras para a Saúde apesar da saída de Marta Temido. “Quem vier a seguir tem de pensar nisto a sério” ou “vem para fazer de Marta Temido 2”.

Miguel Guimarães diz que não vale a pena negar a realidade: “Há falta de médicos”. E recorda que nem todos têm o mesmo vínculo laboral, alguns “trabalham apenas dez horas, para conciliar com a clínica privada”, além de que “um terço dos médicos do SNS estão em formação”, não podem estar por sua conta e risco.

Para o bastonário é imprescindível que o próximo ministro da Saúde tenha “uma grande capacidade para gerir recursos humanos”. Só no ano passado, o Estado gastou 130 milhões de euros com médicos tarefeiros, “o que daria para contratar mais de 2500 médicos durante um ano e com um horário de 40 horas semanais”, explica para ilustrar a desorganização.

Concorda que o SNS precisa de bons gestores, mas acrescenta que se estes não tiverem autonomia para adaptar os seus recursos, para poder contratar ou para comprar medicamentos e equipamentos, “não vale de nada”.

Para Miguel Guimarães “não faz sentido nenhum Marta Temido não sair já e António Costa estar a pedir-lhe o esforço adicional de defender um modelo de SNS que o próximo ministro, com certeza, gostaria de acabar de desenvolver”. Mesmo que seja Lacerda Sales, porque “os secretários de Estado pensam e também têm as suas opções”, que não são, necessariamente, as dos seus ministros.

Uma conversa centrada nos problemas do SNS e na demissão da ministra da Saúde, mas que aborda temas como o excesso de mortalidade e a necessidade urgente de se conhecerem as suas causas ou o “erro da DGS” em matéria de vacinação: “Preocupa-me a forma como foram anunciadas as vacinas, ainda por Marta Temido”.

Com uma vacinação dupla para gripe sazonal e para a Covid-19 já em setembro “estamos a incorrer em dois erros: vacinar cedo de mais, porque a eficácia das vacinas dura três, no máximo, quatro meses – em dezembro já está a perder eficácia, quando o pico da gripe é entre dezembro e fevereiro”, e está a ser utilizada uma versão da vacina para a Covid que dentro de um mês “vai estar ultrapassada”, porque “está a ser desenvolvida” uma nova fórmula, que em breve será aprovada pelas autoridades competentes.

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