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Migrantes. Entre guerras e perseguições, este são os países com mais deslocações forçadas

Cerca de 122,1 milhões de pessoas vivem longe de casa em todo o mundo devido a guerras, violência e perseguições, um recorde que quase dobra o número de 2015.

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Conflitos como os de Myanmar (antiga Birmânia), Sudão e Ucrânia continuam a ser os principais responsáveis por esta deslocação forçada, que inclui mais de 42,7 milhões de refugiados em países que não o de origem e 73,5 milhões de deslocados internamente, de acordo com o relatório da agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Destes refugiados e deslocados internamente, 40% são menores de idade e 7% têm mais de 60 anos.

Os números recorde, atualizados até abril, surgem num contexto de “relações internacionais voláteis” e de conflitos marcados por um enorme sofrimento para os civis, afirmou o Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, no lançamento do relatório este mês.

De acordo com o documento, a Síria deixou de ser o país com mais refugiados e deslocados em todo o mundo (13,5 milhões), tendo sido ultrapassada pelo Sudão, com 14,3 milhões de pessoas deslocadas pela guerra civil.

O Afeganistão ocupa o terceiro lugar, com 10,3 milhões de deslocados, e a Ucrânia a quarta posição, com 8,8 milhões.

Em termos de refugiados em outros países, as quatro nações mencionadas tenham cada uma um número semelhante, cerca de seis milhões.

Sudão

A guerra civil iniciada em abril de 2023 provocou o maior deslocamento na história africana: mais de 4 milhões de refugiados além de 16 milhões de deslocados internos até ao fim de 2024.

O conflito intensificou-se com fome sistémica e bloqueios de ajuda humanitária, gerando milhões de novos deslocados.

O Sudão do Sul é palco de tensões crescentes que se agravaram em março passado com a detenção de várias figuras-chave do principal partido da oposição e parceiro de Kiir no Governo, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão na Oposição (SPLM-IO, na sigla em inglês), liderado pelo primeiro vice-presidente do país, Riek Machar, que se encontra em prisão domiciliária.

O empobrecido país africano sofreu uma guerra de cinco anos que matou cerca de 400 mil pessoas e terminou com o acordo de paz de 2018, que estipulava um acordo de partilha de poder entre o Governo e a oposição, mas cujas principais disposições nunca foram aplicadas.

Síria

A guerra civil, desde 2011, já forçou a saída de cerca de 6 milhões de pessoas, mantendo-se a maior crise global de refugiados.

Contudo, as alterações políticas na Síria – onde o regime do ex-presidente Bashar al-Assad foi deposto em dezembro – permitiram um grande número de regressos voluntários.

Afeganistão e deportações do Irão

Além dos milhões de afegãos que vivem como refugiados há décadas, milhares regressam diariamente ao Afeganistão vindos do Irão por deportações recentes, exacerbadas por cortes no auxílio humanitário.

Desde o início do ano, mais de 600 mil afegãos já regressaram do vizinho Paquistão e do Irão. Mas, tendo em causa os recentes acontecimentos na região, as agências da ONU estão a preparar-se para um possível aumento do movimento transfronteiriço do Irão.

Do ponto de vista humanitário, a ONU avançou na mesma reunião que metade da população afegã necessita de assistência, uma vez que enfrentam fome, deslocações prolongadas e acesso limitado a serviços essenciais.

Ucrânia

Atualmente, quase 13 milhões de pessoas necessitam de assistência na Ucrânia. Cerca de 3,7 milhões de pessoas continuam deslocadas internamente, incluindo 60.000 recém-deslocadas de regiões da linha da frente desde janeiro de 2025.

Há quase seis milhões de ucranianos registados como refugiados em todo o mundo, principalmente na Europa.

Myanmar

Os rohingya, que são predominantemente muçulmanos, são perseguidos na Birmânia. Milhares arriscam a vida todos os anos fugindo da repressão e da guerra civil no seu país pelo mar, muitas vezes a bordo de barcos improvisados.

Mais de um milhão deles encontraram refúgio em campos improvisados no Bangladesh.

Segundo o ACNUR, até 2024, estima-se que 657 rohingya tenham morrido nas águas da região. Cerca de 9.000 pessoas embarcaram nestes barcos, muitas vezes precários, para fugir às suas condições de vida ou à perseguição.

Iémen e Gaza

O Iémen enfrenta uma crise humanitária: milhões sem acesso a água, comida e infraestruturas básicas.

Em Gaza, o conflito que começou em outubro de 2023 deslocou 85% da população (cerca de 2 milhões) internamente, com enormes danos civis.

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