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Manuel Pinho admite ter usado “habilidade” para esconder património

Este artigo tem mais de 4 anos

O antigo ministro da Economia, Manuel Pinho, confessou que fez uma “habilidade” para esconder o património quando tomou posse como ministro da Economia. Em causa está uma conta bancária em que recebia uma avença mensal de cerca de 15 mil euros.

“Assumo que usei uma ‘habilidade’ para não revelar totalmente o meu património quando entrei para o Governo”, lê-se em transcrições de documentos apreendidos pelo Ministério Público e citados pelo Observador.

Nos três documentos, alegadamente escritos por Manuel Pinho, o ex-ministro revela que usou então uma “habilidade” para continuar a receber pagamentos mensais de cerca de 15 mil euros – pagamentos que começaram quando ainda era administrador do BES e que continuaram durante todo o seu mandato como ministro – da sociedade offshore Espírito Santo Enterprises, conhecida como o “saco azul” do Grupo Espírito Santo (GES).

Manuel Pinho referia ainda que “quem tem de dar explicações é quem mandou fazer as transferências” para a conta da sociedade offshore Tartaruga Foundation, da qual Pinho e a mulher eram beneficiários no Banque Privée Espírito Santo, justificando que ambos desconheciam que a maioria das transferências mensais de cerca de 15 mil euros tivesse sido feita entre 2005 e 2009, durante todo o seu mandato de ministro da Economia, justificando que não recebia extratos bancários. Manuel Pinho refere que detetou apenas duas transferências e detalha ainda que, a certa altura, terá pedido a Ricardo Salgado que parasse.

Nas offshores, Manuel Pinho terá recebido mais de 2,1 milhões de euros, entre julho de 2002 e abril de 2014, dinheiro vindo do saco azul do Grupo Espírito Santo.

O ex-ministro diz ainda só ter descoberto que continuou a receber 14.963,94 euros da ES Enterprises após a falência do Banque Privée Espírito Santo, em 2014. “Ficamos admiradissímos”, afirmou.

Num dos textos apreendidos, o antigo ministro da Economia justifica o ato considerando que era mais importante servir o país como governante e que não teve alternativa senão ocultar o património quando se tornou ministro.

Ao longo dos seus textos, Manuel Pinho tenta sempre transformar a Tartaruga Foundation – sociedade offshore com sede no Panamá detida por si e pela mulher Alexandra – numa simples “fundação” sem “atividade comercial”.

“Antes de entrar no Governo, criei uma fundação, a Tartaruga, porque era forma ‘habilidosa’ de não ter de declarar as minhas poupanças no exterior, caso contrário não teria integrado o Governo”, escreveu Pinho.

Manuel Pinho admite, ainda, ter fundado a sociedade offshore Blackwade para adquirir um apartamento no centro de Nova Iorque por cerca de um milhão de euros – por forma a evitar pagar “direitos de sucessão”.

 

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