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Manuel Machado diz que “doença do centralismo” se agravou

Este artigo tem mais de 6 anos

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) criticou hoje o agravamento da “doença chamada centralismo”, fruto da “regressão brutal da organização do Estado nas últimas décadas”, defendendo um debate “de excelência” no referendo da regionalização.

“Hoje, para mudar uma lâmpada no Mosteiro de Alcobaça [distrito de Leiria] é preciso pedir autorização ao ministério em Lisboa. A regressão brutal na organização do Estado nas últimas décadas agravou, e muito, esta doença chamada centralismo que existe em Portugal”, afirmou Manuel Machado, na sessão de abertura do XXIV congresso da ANMP, que se realiza hoje e no sábado em Vila Real.

Defendendo a regionalização, o presidente da ANMP deu como certa a realização de um referendo que, defendeu, deve ter um “um nível de excelência”, caso contrário o processo “voltará a fracassar e quem ficará a perder são os portugueses, principalmente os que vivem nas regiões mais desfavorecidas”.

“O debate que é necessário ter antes de um novo referendo [sobre a regionalização] terá de incorporar todos os prós e contras e tudo terá de ser feito de forma agregadora, sensata e madura”, defendeu.

Para o presidente da ANMP, “se o debate não tiver um nível de excelência, o processo regionalização voltará a fracassar” e quem “ficará a perder são os portugueses, principalmente os que vivem nas regiões mais desfavorecidas”.

“Relançar o debate público deve evitar todos os erros de há 20 anos [no anterior referendo, de 1998], nomeadamente os relacionados com o mapa, a rivalidade Norte/Sul ou litoral/interior”, afirmou.

Machado disse ainda ser preciso “contribuir para construir a convergência, o entendimento, a aproximação e a disponibilidade de uma larga maioria para uma reforma como esta”.

“Terá de ficar claro que regionalização irá servir objetivos de justiça social e de bem estar económico e reforçar a desejada coesão territorial”, acrescentou.

Para o também presidente da Câmara de Coimbra, é o “modelo centralista do Estado” que “acentua as assimetrias regionais”.

“É preciso reorganizar o Estado e projetar um país diferente. As regiões administrativas são um instrumento indispensável para potenciar o desenvolvimento do território”, sustentou.

Recusando “apoucar os relevantes progressos alcançados” no país “ao longo destes anos”, Machado notou que à ANMP cabe “dar um contributo” para “o desenvolvimento pleno de todo o território”.

“Isto passa, no nosso entendimento, por descentralizar e regionalizar”, afirmou.

O presidente da ANMP admitiu que “há ainda algumas desconfianças e apreensões”, nomeadamente na transferência de competências da administração central para a local, “desde logo entre os próprios autarcas”.

“E há também perversidades várias da administração central, porque sente que pode perder alguma franja de poder. Fazem mal, porque a descentralização visa reverter o recuo brutal que houve na última década”, observou.

Manuel Machado referiu ainda que todos querem “a modernização do Estado e da administração pública”, bem como “descentralizar para aproximar o poder político das populações” e “reforçar a desejada coesão territorial”.

“Todos ou quase todos queremos regionalizar. Mas todos estamos de acordo quanto ao essencial: a questão é que estamos ainda à procura de sincronia quanto aos meios e aos ‘timings’ para impulsionar um novo modelo de desenvolvimento do país”, observou.

Machado falava antes de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisar que começar já a pensar na regionalização para avançar em 2022 é “colocar o carro à frente dos bois” e pode ser “um erro irreversível”, até para quem defende o processo.

O presidente da ANMP vincou que Portugal “é um dos países mais centralizados da União Europeia”, onde “os municípios apenas realizam 9% da despesa pública”.

“Na União Europeia, a media é 23%”, frisou.

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