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Entre 2022 e 2024, a APAV registou 815 vítimas em 2022, 962 em 2023 e 1.036 em 2024, de acordo com a Agência Lusa, na CNN.
Cynthia Silva, criminóloga na APAV, explica que o aumento “pode significar que há mais vítimas a procurarem apoio”, mas alerta que quase metade dos casos (48%) não são formalizados através de queixa às autoridades.
“Este silêncio e recusa em apresentar queixa deve-se, muitas vezes, ao facto de os crimes ocorrerem em contexto de violência doméstica, em que agressor e vítima partilham habitação”, afirma.
Entre as razões apontadas estão sentimentos de vergonha e culpa, medo de retaliações ou das consequências legais para os filhos, bem como a tentativa de manter uma imagem de harmonia familiar. Apesar da violência, muitos progenitores continuam a querer proteger os filhos e a preservar laços familiares, acrescenta a criminóloga.
A análise da APAV mostra que, das 2.813 vítimas atendidas, 96,8% foram agredidas por um único filho, enquanto 3,2% sofreram agressões de mais do que um filho. A maioria das vítimas (79,7%) são mulheres, com 65 anos ou mais (58,3%), enquanto os agressores são maioritariamente homens (69%) entre os 18 e os 64 anos (62,8%). Dos 5.654 crimes registados, 82,3% ocorreram no contexto de violência doméstica.
Cynthia Silva sublinha ainda que muitas vítimas procuram ajuda apenas depois de dois ou três anos de violência, o que evidencia a dificuldade em quebrar o silêncio e denunciar os abusos. A criminóloga defende a criação de mais estruturas de acolhimento, mas reconhece que nem sempre é fácil convencer as vítimas a sair de casa.
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