Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A convocação do sufrágio ocorreu depois de o partido no poder, Vetëvendosje (Autodeterminação), liderado pelo primeiro-ministro Albin Kurti, não ter conseguido formar governo, apesar de ter sido a força mais votada nas eleições de 9 de fevereiro.
Trata-se da primeira vez desde a declaração de independência do Kosovo, em 2008, que o país não consegue formar um governo, num processo que se seguiu à guerra de 1998-1999 e à campanha de bombardeamentos da NATO que pôs fim ao conflito.
O partido de Kurti volta a surgir como favorito, mas é incerto que consiga alcançar uma maioria no parlamento de 120 lugares, depois de os principais partidos rivais terem recusado formar uma aliança.
De acordo com a lei eleitoral do Kosovo, 20 lugares parlamentares são automaticamente atribuídos a representantes da minoria sérvia e de outras comunidades étnicas.
Um novo resultado inconclusivo poderá aprofundar ainda mais a crise política. O país não aprovou um orçamento para o próximo ano, o que está a gerar receios de impactos negativos numa economia já frágil, num país com cerca de 2 milhões de habitantes.
Além disso, o parlamento terá de eleger um novo presidente em março, uma vez que o mandato da atual chefe de Estado, Vjosa Osmani, termina no início de abril. Caso essa eleição falhe, a Constituição obriga à realização de novas eleições antecipadas.
Os principais partidos da oposição — a Liga Democrática do Kosovo e o Partido Democrático do Kosovo — acusam Kurti de autoritarismo e de ter afastado aliados tradicionais do país, nomeadamente os Estados Unidos e a União Europeia, desde que chegou ao poder em 2021.
Antigo prisioneiro político durante o período de administração sérvia no Kosovo, Kurti, de 50 anos, adotou uma posição dura nas negociações mediadas pela União Europeia para normalizar as relações com Belgrado. Em resposta, a UE e os EUA impuseram medidas punitivas ao seu governo.
O primeiro-ministro prometeu ainda comprar equipamento militar para reforçar a segurança do país.
Não foram divulgadas sondagens eleitorais fiáveis antes das eleições. Nas últimas legislativas, o Vetëvendosje obteve cerca de 42% dos votos, enquanto os dois principais partidos rivais somaram, em conjunto, aproximadamente 40%. Analistas citados pelo jornal The Guardian sublinham que pequenas variações nos resultados podem ser decisivas para a distribuição do poder, embora o desfecho permaneça incerto.
As tensões com a população sérvia no norte do país agravaram-se em 2023, quando confrontos violentos deixaram dezenas de soldados da força de paz liderada pela NATO feridos. Num sinal considerado positivo, autarcas de etnia sérvia tomaram posse pacificamente este mês, após eleições municipais na região.
Kurti concordou também em acolher migrantes de países terceiros deportados dos Estados Unidos, no âmbito das medidas restritivas de imigração adotadas pela administração Trump. Até ao momento, apenas um migrante chegou ao país, segundo as autoridades.
O Kosovo tem uma das economias mais pobres da Europa e é um dos seis países dos Balcãs Ocidentais que ambicionam aderir à União Europeia. Bruxelas tem reiterado que tanto o Kosovo como a Sérvia terão de normalizar relações antes de avançarem no processo de adesão.
__
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
