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Iván Duque toma hoje posse como Presidente da Colômbia

Este artigo tem mais de 7 anos

O Presidente eleito da Colômbia, Iván Duque, toma hoje posse num contexto que se anuncia difícil, desde as “correções” ao acordo de paz com as FARC firmado pelo seu antecessor, Juan Manuel Santos, até à relação agitada com a vizinha Venezuela.

Além das relações instáveis com a Venezuela, que esta semana acusou Santos de ordenar um atentado contra o líder venezuelano, o novo Presidente terá de responder, ainda, à onda de homicídios de ativistas e ao crescimento das plantações de coca, que atingiram o nível mais alto de sempre.

Uma vez eleito, Duque prometeu trabalhar para “uma estratégia articulada, multilateral e diplomática na transição para as eleições livres na Venezuela”, país que partilha 2.200 quilómetros de fronteira com a Colômbia.

Iván Duque, membro do partido de direita do partido Centro Democrático, tem como principal objetivo construir um pacto com os vários setores da sociedade para impulsionar o desenvolvimento do país.

Durante a campanha, o próximo chefe de Estado colombiano prometeu que terá 50% do seu Governo composto por mulheres, as quais, disse, foram escolhidas pelas suas capacidades e não pela sua filiação política.

As negociações com as FARC

O advogado e ex-senador de 42 anos sucede a Juan Manuel Santos que, após dois mandatos, deixa o país no meio de uma tentativa de reconciliação com as ex-Forças Armadas e Revolucionárias da Colômbia (FARC), iniciado em 2016.

“A Colômbia não se pode resignar a sofrer uma guerra sem fim, como se fôssemos um país condenado à violência”, declarou na segunda-feira Juan Manuel Santos, no seu último discurso como chefe de Estado. Santos disse estar satisfeito com o “caminho percorrido em direção a uma Colômbia em paz, com maior equidade e melhor educação”. No entanto, o artífice do diálogo que levou ao histórico acordo de paz lamentou os sucessivos homicídios de líderes sociais no país, afetado, ainda, “por tantas formas de violência”.

“Nenhuma paz é perfeita, nem fácil de consolidar, muito menos no nosso país, afetado por tantas formas de violência. Os assassínios de líderes sociais são uma dor com a qual eu saio”, admitiu.

Para Santos, o país não se pode resignar a viver na guerra e tão pouco na pobreza. “Ainda temos uma maneira de erradicar completamente a pobreza, reduzir as diferenças inaceitáveis entre os mais ricos e os mais desfavorecidos, mas, nesse objetivo, orientei toda a capacidade do Governo”, concluiu.

Apesar dos avanços das negociações, o Exército de Libertação Nacional (ELN), o último grupo de guerrilha ativo do país, ainda não depositou as armas e aguarda as intenções do novo chefe de Estado em relação às negociações de paz. O governo de Juan Manuel Santos não conseguiu concluir um cessar-fogo junto do ELN.

Em outubro de 2016, o comité norueguês decidiu premiar o Presidente colombiano com o Nobel da Paz pelos seus “esforços para pôr fim aos mais de 50 anos de guerra civil no país”. O acordo veio pôr fim a mais de meio século de uma guerra que deixou mais de 220 mil mortos.

Há três meses, Santos anunciou que o país iria integrar a NATO como “parceiro global”, no final de maio, tornando-se no primeiro país da América Latina a fazer parte daquela organização.

No mesmo mês, os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) também aprovaram a entrada da Colômbia, que se torna no 37.º membro da organização e termina assim um processo de adesão que começou há mais de sete anos.

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