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Segundo a organização, muitos dos processos baseiam-se em “confissões” obtidas sob tortura, com relatos de espancamentos, fraturas, ameaças com armas e períodos de detenção incomunicável. Em vários casos, os arguidos foram privados de acesso a advogados independentes, tendo-lhes sido impostos defensores nomeados pelo Estado, e as famílias foram intimidadas para não denunciarem publicamente as situações. A Amnistia considera que o número real de pessoas em risco poderá ser superior, devido a detenções em massa, desaparecimentos forçados e tortura sistemática, sublinhando que o direito internacional proíbe a aplicação da pena de morte por crimes cometidos por menores de 18 anos.
Este quadro insere-se numa repressão de larga escala cuja dimensão permanece difícil de apurar devido a um bloqueio quase total da Internet, que limita a verificação independente. As estimativas do número de mortos variam significativamente: os números oficiais apontam para cerca de 3.100 vítimas, enquanto organizações independentes, fontes médicas e investigações jornalísticas admitem que o total possa ultrapassar as 30 mil. A Human Rights Activists News Agency fala em mais de seis mil mortos com base em relatos verificados da sua rede no terreno, incluindo manifestantes, membros das forças de segurança e dezenas de crianças. Já a revista Time e o jornal The Guardian citaram fontes que apontam para cerca de 30 mil mortos, enquanto a relatora especial da ONU para os direitos humanos no Irão admitiu que o número real poderá ascender a dezenas de milhares.
Relatos recolhidos por organizações de direitos humanos indicam o uso generalizado de munições reais, espingardas com balas metálicas, gás lacrimogéneo e violência física contra manifestantes maioritariamente pacíficos. Há descrições de pessoas baleadas pelas costas enquanto fugiam, morgues sobrelotadas e enterros rápidos antes da identificação formal dos corpos. Famílias terão sido pressionadas a aceitar versões oficiais sobre as mortes e, em alguns casos, obrigadas a pagar para recuperar os corpos dos familiares.
Desde a revolta “Mulher, Vida, Liberdade”, em 2022, as autoridades iranianas têm recorrido de forma crescente à pena capital como instrumento de repressão, tendo 2025 registado o maior número de execuções desde 1989. A Amnistia apela aos Estados-membros da ONU para que exerçam pressão diplomática urgente sobre o Irão, exijam a anulação das condenações à morte, garantam julgamentos justos sem recurso à pena capital e permitam o acesso de mecanismos internacionais independentes às prisões e aos tribunais.
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