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Inspira quer devolver tempo aos advogados com IA para que se concentrem em tarefas de maior valor humano

Em 2023, Henrique Ferreira esteve no center stage da Web Summit para receber o prémio Pitch, hoje voltou ao mesmo local para falar com o 24notícias sobre a evolução da startup brasileira de soluções jurídicas baseadas em inteligência artificial.

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Dois anos depois, a Inspira consolidou-se como uma empresa robusta no Brasil, oferece ferramentas que aceleram o trabalho dos advogados e democratiza o acesso à justiça. Henrique Ferreira explica que a Inspira nasceu “das dores”  que partilhava com Rafael Cauê “no dia a dia dos escritórios de advocacia e como advogados”. Sem grandes diferenças para a realidade portuguesa, descreve o setor jurídico brasileiro como “super demorado, super moroso” e lembra que a ideia sempre foi usar a tecnologia para acelerar processos sem comprometer a qualidade do trabalho humano. Assim, nasceu a plataforma Inspira que ajuda advogados a pesquisar informações, escrever e rever documentos, tarefas que agora podem ser realizadas “numa fração do tempo”.

Apesar de concordar que o setor jurídico é tradicional e conservador na adoção de inovações tecnológicas, Henrique Ferreira destaca que a chegada de ferramentas como o ChatGPT em 2022 mudou radicalmente o panorama e mesmo os segmentos mais tradicionais começaram a render-se aos efeitos da tecnologia, e “quando as pessoas individuais conseguem perceber isso na rotina, aquela adoção começa a ganhar força, começa a ganhar tamanho e, no fim do dia, acelera-se bastante a curva de adoção”.

A Inspira está hoje num estado muito mais avançado do que há três, e a perspectiva é de crescimento contínuo. Henrique Ferreira ressalta que o grande desafio é alcançar uma camada maior de pessoas, para que todos percebam “as capacidades que a Inteligência Artificial consegue proporcionar dentro da rotina dos advogados”.

Certo é que o Direito e a Justiça tocam em temas muito sensíveis no à proteção de dados diz respeito, e por isso há sempre mais resistência em usar Inteligência Artificial e partilhar dados, mas Henrique Ferreira recorda que o Brasil tem sido pioneiro com legislações como o Marco Civil da Internet, vigente desde 2016, e que as autoridades tentam acompanhar a velocidade da inovação. “A velocidade da inovação é muito maior do que a velocidade em que a legislação é posta em vigência”, observa. Segundo o próprio, o objetivo é garantir que a Inteligência Artificial seja usada de forma saudável, tanto por empresas quanto por indivíduos.

Henrique Ferreira, co-fundador inspira
créditos: Pedro Santos MadreMedia

Além de acelerar o trabalho de advogados, a Inspira também contribui para democratizar o acesso à justiça. Com mais de 1,5 milhões de advogados no Brasil e um sistema judicial volumoso, a startup permite que os advogados resolvam problemas mais rapidamente, reduzindo o investimento necessário e permitindo que recursos do país sejam aplicados noutras áreas. “A inteligência artificial consegue resolver dores das pessoas, não só dos advogados, e com isso a gente diminui até um investimento que o próprio país tem que fazer para manter o sistema judiciário como um dos mais volumosos do planeta”, explica.

Henrique Ferreira reforça que a tecnologia não substitui o julgamento humano, mas potencializa-o. “Não acreditamos na substituição da alma humana. O que a gente quer trazer é um aliado, um assistente para o dia-a-dia”, afirma. A Inspira oferece soluções desde as universidades, onde estudantes podem familiarizar-se com a tecnologia, aos escritórios de advocacia, recuperando mais de um milhão de horas de trabalho dos utilizadores.

E essa poupança de tempo não é exclusiva do Brasil, a expansão internacional também está nos planos da startup, HenriqueFerreira explica que não há necessidade de autorizações especiais para atuar noutros países, pois “os sistemas judiciais promovem o acesso público das informações jurídicas”, que incluem legislação e decisões judiciais. O foco atual permanece no Brasil, mas a Inspira avalia a possibilidade de replicar o modelo em novas geografias.

Desde a vitória no Web Summit, a Inspira cresceu de sete para quase 60 colaboradores, um crescimento que descreve como “alucinante” e muito gratificante. Ressalva o impacto humano do projeto, “a gente vê as pessoas a crescer, a acreditar nesse propósito partilhado, e no final do dia, de facto, mudar como o mundo funciona”. Costuma afirma que o principal legado da Inspira é “devolver o tempo aos advogados”, permitindo que se concentrem em tarefas estratégicas e de maior valor humano.

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