• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Incêndios. PSD acusa Governo de uso “vergonhoso e ultrajante” do Fundo da União Europeia

Este artigo tem mais de 7 anos

O líder parlamentar do PSD acusou hoje o Governo de se preparar para fazer um uso “vergonhoso e ultrajante” do Fundo de Solidariedade da União Europeia, discriminando as populações de parte dos concelhos afetados pelos incêndios.

Fernando Negrão fez esta acusação na reunião de hoje da Comissão Permanente da Assembleia da República, reforçando as críticas que o PSD tem feito sobre esta matéria, desde logo, através do seu presidente, Rui Rio, que há dois dias considerou “imoral” a canalização destas verbas europeias.

Numa declaração política em que retomou também as acusações de “caos na saúde” e “caos nos transportes públicos”, o líder parlamentar do PSD afirmou: “O que o Governo se prepara para fazer com o dinheiro do Fundo de Solidariedade da União Europeia é vergonhoso e ultrajante para todos e em especial para as vítimas dos incêndios e é revelador de uma forma de governar oportunista e matreira”.

“O Governo não definiu como prioridades todas as populações afetadas pelos incêndios, o que fez foi afastar parte dessas populações, como, por exemplo, as dos concelhos de Mação, Figueiró dos Vinhos ou Castanheira de Pera, e substitui-las por apoios a entidades cuja despesa cabe ao Orçamento do Estado prover”, apontou o social-democrata.

Segundo Fernando Negrão, desta forma, o Governo criou “um injustificado clima de discriminação e injustiça entre as populações e fugindo à sua própria responsabilidade no financiamento dos serviços e estruturas do Estado à custa do apoio às populações discriminadas”.

“Termino exortando o senhor primeiro-ministro a não se esquecer que o Estado são os portugueses, e o Governo deve estar exclusivamente ao serviço dos portugueses. Os portugueses estão atentos, não perdoarão a progressiva destruição dos serviços públicos a que estão a assistir e a sofrer as respetivas consequências”, acrescentou.

Depois de o jornal i ter noticiado na terça-feira que o Fundo de Solidariedade da UE atribuiu 50,6 milhões de euros no âmbito dos incêndios que fustigaram o país no ano passado e metade da verba vai ficar no Estado porque o Governo terá decidido atribuir 26,5 milhões de euros a candidaturas provenientes de instituições como a GNR, a Autoridade Nacional de Proteção Civil ou o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, o PSD e o CDS acusaram o Governo de desviar o fundo de apoio às vítimas.

Pedro Marques sustentou que esta notícia “é falsa” e considerou “imoral que o líder do maior partido da oposição tenha vindo falar sobre um assunto que não conhece”, além de não se ter informado sobre o regulamento do fundo de solidariedade da UE.

Na terça-feira, o porta-voz responsável pela Política Regional afirmou que o fundo é gerido ao nível dos Estados-membros “e cabe às autoridades portuguesas decidir onde as alocações devem ser aplicadas, de acordo, naturalmente, com as regras aplicáveis” a nível da UE.

Essas regras, apontou, “excluem, por exemplo, indemnizações por perdas privadas”, mas contemplam a possibilidade de as verbas do Fundo de Solidariedade serem utilizadas “para cobrir custos de operações de recuperação públicas e de emergência”, que, de resto, foram especificadas, na sequência da proposta das autoridades portuguesas, na decisão de implementação da Comissão Europeia de atribuir verbas do Fundo a Portugal.

Em maio passado, na sequência de uma proposta apresentada em fevereiro pela Comissão Europeia, o Parlamento Europeu aprovou a mobilização de 50,6 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da UE para o restabelecimento das infraestruturas danificadas pelos incêndios de 2017 em Portugal.

O pacote de assistência a Portugal no quadro do Fundo de Solidariedade proposto pelo executivo comunitário – no seguimento do pedido de assistência financeira enviado pelas autoridades portuguesas em 17 de julho de 2017 e atualizado em 13 de outubro e 14 de dezembro, devido a outros incêndios que deflagraram no país – visa ajudar a cobrir os custos das medidas de emergência e contribuir para o restabelecimento das infraestruturas danificadas.

Os incêndios de 2017 em Portugal provocaram pelo menos 116 vítimas mortais, consumiram cerca de 500 mil hectares de floresta e destruíram mais de duas mil casas, empresas e explorações agrícolas.

Veja também

Em Destaque

Últimas