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Hungria pede à UE para retirar imunidade parlamentar de eurodeputada italiana acusada de ataques a neonazis

Este artigo tem mais de 1 ano

Em fevereiro de 2023, Ilaria Salis foi detida, em Budapeste, após alegadas tentativas de agressão numa manifestação contra um comício neonazi. Depois de, em junho deste ano, ganhar assento no Parlamento Europeu, foi libertada.

https://twitter.com/Left_EU/status/1848986665487945934/photo/1

A Hungria pediu à União Europeia (UE) para retirar a imunidade parlamentar da eurodeputada italiana Ilaria Salis, de 39 anos, que esteve detida durante 16 meses em Budapeste por alegados ataques a neonazis.

O The Guardian conta que, em fevereiro do ano passado, Salis foi detida após uma manifestação contra um comício neonazi. Suspeita de três tentativas de agressão e filiação a uma organização de extrema-esquerda, a eurodeputada negou todas as acusações.

Numa carta enviada ao seu advogado, a mulher, que foi levada algemada e com os pés atados, contou que a sua cela estava infestada de ratos e insetos, e afirmou que não tinha permissão para tomar banho ou receber cuidados médicos urgentes.

Em maio deste ano, foi-lhe decretada prisão domiciliária. No mês seguinte, ganhou assento no Parlamento da UE, enquanto representante dos Verdes e da Aliança de Esquerda, ficando livre das acusações.

Libertada da prisão domiciliária, Ilaris Salis voltou para Itália em junho.

No dia de ontem, representantes do partido Fidesz do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disseram numa sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que Budapeste já tinha solicitado, formalmente, a retirada da imunidade parlamentar de Salis.

Numa nota, Salis reagiu: “Como afirmei repetidamente, espero que o Parlamento escolha defender o Estado de Direito e os direitos humanos sem ceder à arrogância de uma ‘democracia não liberal’ com tendências autocráticas, que, pelas palavras dos seus próprios líderes, já me declarou culpada em várias ocasiões antes de qualquer veredito”.

“Não é coincidência que o pedido ao Parlamento tenha ocorrido a 10 de outubro, um dia após a minha intervenção na sessão plenária sobre a presidência húngara, onde critiquei fortemente as ações de Orbán. O que está em jogo não é apenas o meu futuro pessoal, mas também, e acima de tudo, o futuro do que queremos para a Europa”.

Na rede social X, o porta-voz do governo húngaro, Zoltán Kovács, acusou Salis de “agir como se fosse algum tipo de vítima”, referindo que “não era apenas desconcertante, mas totalmente repugnante”.

“Deixe-me esclarecer novamente: você não foi detida pelas suas ‘opiniões políticas’. Você foi presa e levada a julgamento por casos de agressão armada a cidadãos húngaros inocentes”, continuou.

O pedido dos parlamentares húngaros já foi comunicado à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e será anunciado em breve e encaminhado ao comité parlamentar responsável.

Antes de chegar à votação final, o processo pode levar até quatro meses.

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