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Investigadores do Centro de Investigação Interdisciplinar (CiiEM) da Egas Moniz School of Health & Science identificaram um aumento consistente da presença de espécies de Candida durante o internamento em unidades de cuidados intensivos. A colonização destes fungos está associada a um maior risco de infeções invasivas e a prognósticos clínicos menos favoráveis.
As conclusões surgem num momento em que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alerta para a ameaça crescente da resistência antifúngica nos hospitais, incluindo a emergência do fungo resistente Candidozyma auris (C. auris).
Um dos estudos da equipa de Microbiologia e Doenças Infecciosas demonstrou que a colonização por Candida spp. tende a intensificar-se ao longo da estadia hospitalar, sobretudo em doentes com infeções respiratórias ou em hemodiálise. Os investigadores sublinham que a pele pode atuar como reservatório precoce, tornando a monitorização cutânea uma ferramenta eficaz de vigilância epidemiológica e prevenção.
Outro trabalho reforçou estas evidências, ao mostrar que muitos doentes permanecem colonizados de forma contínua e com elevada densidade fúngica, aumentando o risco de infeções graves. O ambiente hospitalar foi identificado como fator determinante para a manutenção da colonização, o que, segundo os investigadores, exige medidas rigorosas de higiene e controlo.
“Estes resultados são particularmente relevantes no atual contexto europeu. A nossa investigação mostra que a monitorização precoce da colonização fúngica pode funcionar como ferramenta de alerta para prevenir infeções invasivas. O caso de Candidozyma auris é paradigmático, pela sua resistência aos tratamentos disponíveis e pela facilidade de disseminação em ambiente hospitalar”, afirma Helena Barroso, professora na Egas Moniz School of Health & Science e responsável pelo Grupo de Investigação em Microbiologia e Doenças Infecciosas.
Embora em Portugal existam apenas casos isolados, o C. auris já provocou surtos hospitalares noutros países europeus. Devido à sua resistência a múltiplos antifúngicos e à capacidade de persistir em superfícies, os especialistas defendem o reforço da vigilância e a implementação de protocolos uniformizados, incluindo rastreios preventivos em doentes de risco.
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