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Germain Rukuki cometeu o crime de defender os direitos humanos

Este artigo tem mais de 5 anos

O pesadelo de Germain Rukuki começou há três anos. Dezenas de agentes da polícia entraram em sua casa, pela calada da noite, levando-o para interrogatório. A mulher, grávida do terceiro filho, também foi ouvida. Ele acabou condenado a 32 anos de prisão, ela teve de fugir para garantir a segurança da família. Aos olhos das…

A polícia quis ouvir o que Germain Rukuki e Emelyne Mupfasoni tinham a dizer sobre o trabalho que desenvolviam numa organização não-governamental. Desde 2015, a ação da sociedade civil no Burundi é cada vez mais limitada e milhares de pessoas fugiram do ambiente de repressão em que o país mergulhou. Frequentemente, os defensores de direitos humanos são ameaçados, perseguidos e detidos.

Depois de interrogado, Germain Rukuki foi conduzido para a prisão de Ngozi, conhecida pelas práticas de tortura e por receber presos políticos. Emelyne Mupfasoni receou pela segurança dos filhos e não teve outra alternativa: fugiu do Burundi com as crianças.

A justiça não foi branda com Rukuki, considerado culpado de um rol de acusações infundadas, que iam desde rebelião e participação em movimentos de insurreição, até ao ataque à autoridade e ameaça à segurança do Estado. Por tudo isto, foi condenado a 32 anos de prisão, no dia 26 de abril de 2018.

Para esta decisão injusta contribuiu o trabalho pacífico em direitos humanos, nomeadamente na organização não-governamental Ação Cristã pela Abolição da Tortura. Apesar de ter sido encerrada em 2016, por “manchar a imagem do país”, o tribunal admitiu como prova um e-mail que Germain Rukuki enviou quando esta ainda estava operacional.

Separado da família, nunca conheceu o filho mais novo, agora com três anos. Mas este defensor dos direitos humanos, que sonha com um Burundi mais pacífico e mais livre para todos, não baixou os braços. Só que a busca por justiça tem esbarrado na injustiça e, no dia 17 de julho de 2019, a decisão sobre o recurso que apresentou confirmou a sentença em primeira instância. Nem Germain Rukuki, nem o seu advogado participaram na audiência. Além disso, foram notificados sobre o desfecho quase uma semana depois.

Um sinal de esperança

E se pudéssemos fazer com que Germain Rukuki voltasse para junto da família? É com essa esperança que continuamos a lutar pela libertação deste pai, marido e ativista. A justiça também dá sinais de que o futuro pode ser diferente.

No passado dia 30 de junho, o Supremo Tribunal do Burundi decidiu que o recurso de Germain Rukuki deveria ser novamente analisado. Por isso, este é o momento de agir, até porque a urgência deste caso é ainda maior devido à COVID-19, uma vez que a prisão de Ngozi está sobrelotada e os riscos de contágio são muito elevados. A cela onde Germain Rukuki se encontra tem apenas duas casas de banho para 120 detidos.

Um dia, o Burundi vai ser um país em que dissidência não será reprimida e os direitos humanos não serão criminalizados. Um dia, a tortura nas prisões e as condições degradantes de detenção vão fazer parte dos livros de História. Um dia, Germain Rukuki vai voltar a brincar com os filhos e cantar as suas músicas favoritas, como “Redemption Song” de Bob Marley.

Won’t you help to sing, these songs of freedom?

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