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EUA focados no acordo de paz. E o Kremlin, de que lado está?

Este artigo tem mais de 1 ano

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump esteve ontem à conversa com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para lhe pedir que “poupe as vidas” de “milhares de soldados ucranianos” nas linhas da frente de guerra. Mas será que pode uma conversa na Sala Oval resolver uma guerra que dura há mais de três anos?

Apesar dos recentes confrontos com Volodomyr Zelensky, o presidente americano reforçou o pedido a Putin para terminar com o sofrimento dos civis e soldados ucranianos.

Em cima da mesa está a negociação de um acordo de cessar-fogo de 30 dias na Ucrânia, acordado esta terça-feira entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, e sobre o qual o Kremlin ainda não se pronunciou. Uma segunda conversa entre Trump e Putin para discutir o acordo está agendada para hoje, mas ainda sem hora definida.

A proposta de tréguas articulada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, surpreendeu a comunidade internacional, que se mantém alerta com a reaproximação de Donald Trump à Rússia desde que regressou ao poder.

Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump, chegou a Moscovo na quinta-feira para apresentar aos russos o plano dos EUA e convencê-los a terminar a guerra que começaram.

“Atualmente, milhares de soldados ucranianos estão completamente cercados pelo Exército russo, estão numa posição vulnerável e muito má. Pedi a Vladimir Putin que lhes poupasse a vida”, escreveu Trump numa mensagem na rede Social Truth.

O Presidente norte-americano referiu ainda “discussões muito boas e produtivas com o Presidente Putin ontem [quinta-feira]”, sem especificar se os dois chefes de Estado falaram diretamente por telefone ou através de emissários.

“Há uma boa hipótese de que esta guerra terrível e sangrenta finalmente termine”, acrescentou Donald Trump. No entanto, o Kremlin não parece concordar.

Estará o Kremlin do lado dos EUA?

Apesar de a conversa de ontem ter sido, nas palavras de Trump, “produtiva”, um relatório confidencial preparado para o Kremlin publicado há dois dias pelo Washington Post, sugere que a Rússia não tem interesse numa paz antecipada.

O relatório foi elaborado por um grupo de reflexão sediado em Moscovo, que retrata o plano de Donald Trump para resolver o conflito na Ucrânia em 100 dias como “impossível” e refere ainda que Trump “não parece compreender” a complexidade da situação.

Além disso, o Exército russo reivindicou hoje a recuperação da cidade de Goncharovka, na região russa de Kursk – o mais recente exemplo dos rápidos avanços de Moscovo na zona, que está ocupada pelas forças ucranianas desde o verão de 2024.

Assim, Putin passou a exigir a rendição total de Kiev em Kursk, a oeste do país, e avança para o controlo de Sudzha, uma cidade importante na região.

Em reposta, o presidente Volodymyr Zelensky disse esta sexta-feira que as tentativas russas de estabelecer condições para um cessar-fogo na Ucrânia apenas “complicam e prolongam o processo”, avança a Reuters.

Na rede social “X”, o presidente ucraniano escreveu que “a Rússia é a única parte que quer que a guerra continue e que a diplomacia fracasse”.

As reações da comunidade internacional

A intensa pressão que o presidente americano exerceu sobre a Ucrânia, invadida por Moscovo em 2022, voltou a promover uma onda de solidariedade dentro da comunidade internacional.

A Organização das Nações Unidas acredita que a Rússia ‘cometeu crimes contra a humanidade’, como desaparecimentos forçados e atos de tortura, desde o início da guerra.

Uma comissão internacional de inquérito independente da ONU referiu ainda que esses crimes foram cometidos como parte de “um ataque sistemático e generalizado contra a população civil”, e apelou pela paz.

Também os países do G7 — Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e os Estados Unidos — anunciaram esta sexta-feira o apoio à proposta de cessar-fogo para o conflito na Ucrânia e à integridade territorial do país, ao mesmo tempo que exigiram medidas de segurança para Kiev e ameaçaram Moscovo com novas sanções, nomeadamente económicas.

A declaração final da reunião dos chefes de diplomacias do G7, em Charlevoix, no Canadá, reafirma o seu “apoio inabalável” à integridade territorial da Ucrânia e ameaça a Rússia com novas sanções se não apoiar a proposta norte-americana de trégua, já aceite por Kiev.

O grupo apela também para a implementação de “acordos de segurança robustos” para evitar uma nova “agressão” russa na Ucrânia.

O G7 demonstrou “forte unidade” nas discussões sobre a Ucrânia, disse Mélanie Joly, ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, anfitriã da reunião, que já indicara estar em redação uma forte declaração final.

“Apoiamos a proposta americana de cessar-fogo, aceite pelos ucranianos, e continuamos a aguardar a reação russa”, acrescentou, no último dia de discussões.

“No que diz respeito à Ucrânia, a bola está com a Rússia”, acrescentou.

Na semana anterior, também a União Europeia se mostrou “do lado dos soldados ucranianos”. António Costa, presidente do Consleho Europeu, lembrou: “Estamos contigo, Volodomyr, e vamos continuar no futuro”.

A par disso, a União Europeia (UE) continua empenhada em garantir que a Ucrânia se “torne num membro da UE” e atingir a “paz justa e duradoura”, refere Úrsula Von der Leyen.

Paulo Rangel “cauteloso” com a posição da Rússia

Em visita a Kiev, capital da Ucrânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse hoje que “obviamente Portugal vem reafirmar, num momento fundamental, que estamos aqui para apoiar esta disponibilidade que o governo da Ucrânia têm mostrado para encontrar uma solução para este conflito que foi motivado pela agressão russa”.

“Os países europeus amigos da Ucrânia vão ser chamados a dar garantias de segurança e contribuir para a reconstrução da Ucrânia”, acrescenta. E, aí, “Portugal estará sempre, obviamente, disponível nesse apoio militar, financeiro e político”.

Na sua opinião, “Portugal tem relações muito estreitas com todos os cantos do planeta e tem capacidade – com soft power, o poder suave – de influenciar” estas matérias.

Em relação à posição da Rússia neste acordo, Paulo Rangel está “extremamente cauteloso”, principalmente após declarações do Presidente russo, Vladimir Putin.

“Estou extremamente cauteloso, não estou nada seguro de que a Federação Russa vá aceitar o cessar-fogo“, disse Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas, em Kiev.

O ministro dos Negócios Estrangeiros insistiu que “não há qualquer certeza sobre o avanço deste acordo”, mas advertiu que Washington — que está a fazer a mediação deste acordo — “fez saber que o compromisso que está em cima da mesa é claramente aceitável para as duas partes”.

Sobre a declaração feita na quinta-feira pelo Presidente russo, Paulo Rangel considera que “a proclamação inicial parecia ser encorajador”, mas o detalhe das exigências feitas por Vladimir Putin não deixou margem para celebrar um acordo de cessar-fogo.

*Com Agências

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