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Especialista em rios defende que zonas áridas portuguesas têm solução

Este artigo tem mais de 7 anos

A especialista indiana Minni Jain, que participou na recuperação de sete rios no Rajastão, defendeu que as regiões secas de Portugal ainda têm salvação, dependendo das boas práticas de quem gere os recursos hídricos nacionais.

A diretora de operações e cofundadora daquela Organização Não Governamental (ONG) será uma das oradoras do 2.º Fórum Internacional GTM – Gaia Todo um Mundo, que decorre entre quinta-feira e domingo em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, este ano com enfoque na cooperação para o desenvolvimento sustentável.

Convidada para intervir no painel sobre “O impacto económico da água e dos recursos hídricos”, a especialista, enquanto responsável da Flow Partnership, interveio na recuperação de sete rios na região árida do Rajastão, na Índia, num processo que permitiu combater, também, o êxodo das pessoas.

Considerando Portugal como “um país com muitos rios”, Minni Jain frisou ser “também muito seco e árido em muitas partes”, para explicar que se os portugueses “começarem a manter a água onde desejam, lentamente os rios recuperarão os seus caudais e tornar-se-ão saudáveis e a correr novamente, mesmo nas regiões secas”.

“Os rios são a nossa vida. Se os rios desaparecerem nós também iremos desaparecer. É uma verdade simples de que devemos ter consciência e agir em conformidade”, disse a diretora da ONG dando o exemplo de “alguns países que dão aos rios os mesmos direitos dos seres humanos” e para quem “a saúde do rio tem a mesma importância da saúde humana”.

À agência Lusa, Minni Jain falou da sua experiência no Rajastão, cujo “trabalho de rejuvenescimento de paisagens áridas e de recuperação dos rios da região foi feito pela comunidade que, ainda hoje, faz a sua manutenção”.

“Isso ocorreu quando todos os jovens nas ilhas rumavam às cidades em busca de emprego e prescindindo da agricultura”, recordou.

Para trás, frisou a especialista, “ficaram alguns idosos, mulheres e crianças”, sendo que foram essas pessoas “que, trabalhando muito, transformaram o desespero em esperança”, usando os “procedimentos corretos que permitiram o regresso da água à região e que os rios se recuperassem”, relatou.

Pautando a sua ação por uma “constante relação entre a ciência e a espiritualidade”, Minni Jain considera que o “saber, conhecer e experimentar são rotas para entender a espiritualidade mais profunda” que “liga o ser humano ao cosmos e a todos os seres vivos”.

“Quando estamos em constante diálogo interno com estes, estamos no caminho certo para entender a harmonia entre o mundo natural e os outros seres sensíveis, entendendo-o como um dom que não é apenas para nós, mas algo a ser partilhado e cuidado pelas gerações futuras”, explicou.

A diretora da Flow Partnership considera “não haver muita distância entre entendimento e ação” e afirma-se “uma otimista e uma firme crente na circularidade da vida”, facto que a faz acreditar que se chegará a “ações que ajudarão o planeta a prosperar”.

“Quando perdermos nossa ligação com o mundo natural, ao mesmo tempo perdemos a visão do fato de que todos os produtos e materialismo que procuramos vêm da natureza. Ao perdermos essa noção, pensamos e comportamo-nos como se a matéria-prima fosse ilimitada e pudesse alimentar o crescimento sem limites, que os lucros e a natureza são infinitos”, alertou.

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