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Eleições na RDCongo marcadas para 23 de dezembro de 2018

Este artigo tem mais de 8 anos

As eleições presidenciais, legislativas, provinciais e locais na República Democrática do Congo (RDC) foram marcadas para 23 de dezembro de 2018, anunciou hoje uma fonte oficial da comissão eleitoral.

Os “escrutínios diretos” serão organizados numa única sequência no domingo, dia 23 de dezembro, declarou o porta-voz da comissão eleitoral nacional, Jean-Pierre Kalamba, numa cerimónia oficial sobre a divulgação do calendário.

A insatisfação tem crescido no país contra o Presidente, Joseph Kabila, que se mantém no poder apesar de o seu mandato ter terminado em dezembro de 2016, sem que tivessem sido realizadas eleições presidenciais.

A comissão eleitoral tinha anunciado recentemente que as eleições não poderiam ocorrer antes de 2019, o que justificou com a violência mortal na região Kasai e complicações logísticas.

A oposição tinha admitido adiar o voto até junho de 2018, caso Kabila aceitasse deixar a presidência e fosse substituído por um governo de transição.

Um tribunal decidiu que o chefe de Estado congolês pode manter-se no cargo até às próximas eleições.

O atraso na realização do escrutínio tem sido recebido com protestos por vezes mortais na capital, Kinshasa, e noutras grandes cidades do país com mais de 77 milhões de habitantes.

Observadores alertaram para o facto de as tensões ameaçarem não só a RDCongo como o próprio continente africano.

Joseph Kabila tomou o poder em 2001, após o assassínio do pai, Laurent Kabila.

Na sua intervenção na Organização das Nações Unidas (ONU), no encontro anual dos líderes mundiais, em setembro, Kabila reiterou o seu compromisso de realizar eleições, mas não especificou a data.

Quando o Conselho de Segurança da ONU debateu a RDCongo, no mês passado, o embaixador francês François Delattre disse que os Estados membros daquele órgão “aguardam uma rápida divulgação do calendário eleitoral”.

Delattre declarou igualmente que o acordo de 31 de dezembro de 2016 entre o Governo e a oposição da RDCongo, mediado pela Igreja Católica, tem sido “muito adiado, e o Conselho de Segurança tem repetidamente frisado a urgência que a RDCongo enfrenta”.

O acordo de última hora apelava para que as eleições se realizassem até ao fim de 2017, embora alguns tenham desde o início expressado dúvidas sobre se esse calendário seria possível.

A oposição sofreu um duro golpe pouco depois do acordo, quando o seu icónico líder, Etienne Tshisekedi, morreu na Bélgica, aparentemente de embolia pulmonar.

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