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A “frota sombra russa” (também chamada de “frota fantasma”) é um conjunto de navios — especialmente petroleiros — usado pela Rússia para contornar sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia, de forma a continuar a exportar petróleo e derivados.
Quais as características destes navios?
São navios frequentemente antigos, de propriedade dúbia, com registos complexos e bandeiras de conveniência, de países com regulação menos apertada, para dificultar a rastreabilidade.
Além disso, muitos operam com seguros não tradicionais ou “desconhecidos” aos padrões regulatórios ocidentais, o que aumenta o risco de acidentes, vazamentos e outros problemas ambientais ou legais.
Segundo as autoridades, algumas embarcações desligam o sistema de identificação automática (AIS) ou falsificam rotas ou bandeiras para ocultar a sua verdadeira identidade ou propósito.
Quais os casos mais marcantes de atividade da “frota sombra”?
– Boracay
Foi hoje noticiado que as forças navais francesas abordaram e inspecionaram um navio petroleiro, associado à chamada “frota sombra” da Rússia, que poderá ter funcionado como plataforma de lançamento de drones responsáveis por incursões aéreas na Dinamarca na semana passada.
A embarcação, de nome Boracay, navegava disfarçada sob diferentes identidades e foi interceptada no Atlântico, quando seguia rumo à Índia com 750 mil barris de crude, após sair do terminal russo de Primorsk, próximo de São Petersburgo.
Dois tripulantes – que se apresentaram como capitão e imediato – foram colocados sob detenção depois de se terem recusado a justificar a nacionalidade do navio e de colaborarem de forma limitada com as autoridades. A embarcação foi escoltada até Saint-Nazaire, na costa ocidental francesa, onde decorrem investigações.
O presidente Emmanuel Macron considerou o procedimento uma “boa decisão”, sublinhando que a ação se insere no esforço europeu de monitorizar operações suspeitas de Moscovo em águas internacionais. Do lado russo, o Kremlin afirmou “não dispor de informações” sobre o incidente.
– Eagle S
O navio Eagle S foi ligado a danos em cabos subaquáticos no Mar Báltico. A situação levantou acusações de “vandalismo agravado” ou interferência com infraestrutura.
O Eagle S, que navega sob bandeira das Ilhas Cook, é acusado de danificar um cabo elétrico e quatro cabos de telecomunicações no dia de Natal. Pelo menos oito marinheiros foram associados a estes casos.
O navio foi acusado de arrastar voluntariamente a sua âncora durante vários quilómetros no fundo do mar, segundo as autoridades finlandesas. Em janeiro, a Marinha sueca anunciou ter encontrado a âncora em questão.
E as sanções da UE?
Em maio, a União Europeia aprovou o 17.º pacote de sanções contra a Rússia, que abrangia quase 200 navios pertencentes à chamada “frota sombra”.
Os navios sancionados têm o acesso a portos na UE negado. Isso impede que descarreguem ou façam escalas em portos europeus regulares, aumentando o custo operacional e logístico.
Assim, navios que não apresentem provas de seguro adequado ou de registo claro podem ser impedidos de entrar em águas da UE, ter serviços recusados ou serem detidos.
Anteriormente, em fevereiro, Bruxelas tinha já anunciado medidas para reforçar a segurança dos cabos submarinos da União Europeia através da aplicação de sanções e medidas diplomáticas e da monitorização do Báltico e do Mediterrâneo, após tentativas de perturbação russa.
Estas ações complementam as atividades em curso da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e apoiam os esforços nacionais e regionais, reafirmando o empenho da UE em proteger as infraestruturas submarinas críticas essenciais para as comunicações mundiais e a segurança energética.
Qual a importância dos cabos?
Os cabos de comunicação ligam vários Estados-membros, as ilhas ao continente europeu e a UE ao resto do mundo, transportando 99% do tráfego intercontinental de Internet.
Além disso, os cabos elétricos submarinos facilitam a integração dos mercados da eletricidade dos países, reforçam a sua segurança de aprovisionamento e fornecem energia renovável ao largo da costa para o continente, mas nas últimas semanas e meses os incidentes com cabos submarinos correram o risco de causar graves perturbações em funções e serviços essenciais na UE.
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