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Diretor da PSP compreende que “os polícias se sintam injustiçados”, mas não vai avançar queixa contra presidente do sindicato do SEF

Este artigo tem mais de 4 anos

Em causa estão as declarações de um dirigente sindical do SEF sobre alegados “problemas estruturais de xenofobia e racismo” na polícia e GNR. Manuel Magina da Silva, diretor nacional da PSP, adiantou que não vai, para já, apresentar queixa-crime, apesar de considerar haver base legal para tal.

Em Belas, Sintra, no âmbito das comemorações do 14.º aniversário da Unidade Especial de Polícia da PSP, Magina da Silva negou aos jornalistas que irá apresentar uma queixa-crime contra Acácio Pereira, presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF).

Apesar de compreender que “os polícias se sintam injustiçados” pelas declarações e de adiantar que ele próprio se inclui neste grupo, não vai avançar com as queixas, apesar de considerar que as afirmações “poderão integrar ilícitos criminais”.

“No entanto, atendendo à sensibilidade do processo em curso e legítima ansiedade por parte dos funcionários da carreira de investigação e fiscalização do SEF, que naturalmente também atingirão o presidente desse sindicato, temos de relativizar e esperar que essas declarações, sem fundamento nenhum, acabem por aqui”, adiantou, apontando para uma tentativa de apaziguar os ânimos numa fase em que o SEF está prestes a ser extinto e as suas competências policiais passarem para a PSP, GNR e Polícia Judiciária.

Em causa está a carta aberta divulgada na terça-feira no Diário de Notícias para pedir a Marcelo Rebelo de Sousa que evite a extinção do SEF e onde Acácio Pereira criticou a transferência das competências policiais para a PSP e a GNR, ao afirmar que estas forças “têm problemas estruturais de xenofobia e de racismo”.

O caso já levou três sindicatos ligados à PSP a pedir ao diretor nacional desta força policial a apresentar uma queixa-crime contra estas afirmações.

O Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP (SNCC – PSP), também numa carta aberta, divulgada em comunicado, pediu esta quarta-feira a Magina da Silva para avançar com a queixa. “Face ao exposto e porque sabemos que a maioria dos profissionais do SEF não se revê neste tipo de declarações e porque não vale tudo, instamos o senhor Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública, enquanto detentor do poder legal de representar todos os seus profissionais, a apresentar uma queixa-crime contra o(s) autor(es) da referida carta”, lê-se.

Na terça-feira, associações da PSP e da GNR consideraram “infelizes” e uma demonstração de “desespero” as afirmações do presidente do sindicato dos inspetores do SEF, Acácio Pereira.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, classificou estas afirmações “infelizes por parte do sindicato do SEF ao tentar passar a ideia de que na GNR existe racismo e xenofobia”.

Também o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, disse à Lusa que a afirmação do presidente do SCIF/SEF passa “por um estado de espírito de desespero” e “não corresponde à realidade da PSP”.

Magina da Silva sublinhou que percebe o pedido e a posição dos sindicatos, frisando que também é polícia e não se revê nestas declarações “altamente injustas”.

“Percebo as posições dos sindicatos e percebo a posição dos polícias que não se sentiram bem quando são injustamente acusados do que quer que seja”, disse, salientando que “as afirmações e os atos ficam para com quem os pratica”.

Magina da Silva ressalvou também que a PSP “não é, nunca foi e, nem nunca” será permitido que “seja uma instituição racista e xenófoba”.

O mesmo responsável disse ainda que há “um processo de integração em curso” de inspetores do SEF para a polícia que a PSP quer “o mais suave e a mais integradora possível”.

Na carta aberta, publicada no Diário de Notícias, Acácio Pereira aborda a questão do posto territorial de Vila Nova de Milfontes, referindo que “há membros dessas forças a cumprirem penas de prisão efetiva e preventiva por práticas de tortura e de milícia patronal de imigrantes”.

A extinção do SEF foi adiada até à criação da Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo (APMA), não existindo uma data para tal acontecer.

Esta foi já a segunda vez que a extinção do SEF, decidida pelo anterior Governo e aprovada em novembro de 2021 na Assembleia da República, foi adiada e aprovada no parlamento.

A lei determina que as atuais atribuições em matéria administrativa do SEF relativamente a cidadãos estrangeiros passam a ser exercidas por uma nova instituição, a APMA, e pelo Instituto dos Registos e do Notariado, além de serem transferidas as competências policiais para PSP, GNR e Polícia Judiciária.

Questionado se a PSP tem capacidade para absorver parte das competências do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, nomeadamente o controlo de fronteiras áreas e marítimas, Magina da Silva respondeu que “à PSP cabe pura e simplesmente executar as decisões políticas”.

“Cabe-me lidar com os impactos positivos e negativos resultantes desta decisão do Governo. Não cabe ao diretor nacional da PSP pronunciar-se sobre as opções da Assembleia da República e do Governo”, disse.

No âmbito da transferência de competência policiais, a PSP ficará a controlar as fronteiras aeroportuárias e terminais de cruzeiros”, a GNR ficará responsável por “vigiar, fiscalizar e controlar as fronteiras marítima e terrestre”.

O diretor da PSP disse também que já está em marcha um plano de formação para os agentes que vão passar a controlar as fronteiras aéreas na primeira linha.

“Esse plano de formação está em marcha por formadores do SEF”, salientou, dando conta que 48 agentes já finalizaram a formação e estão na fase de estágio e depois serão também alvo de mais ações 140 elementos.

Magina da Silva precisou que, quando a transferência de competências for concretizada, os agentes da PSP que estão a receber formação vão passar a fazer o controlo das fronteiras aéreo e marítimas nos aeroportos e portos marítima.

Questionado sobre a diferença salarial de um agente da PSP e um inspetor do SEF, que ganha um ordenado superior e vão passar a desempenhar as mesmas funções, o mesmo responsável reafirmou que há “uma diferença grande” entre as remunerações dos elementos das forças e serviços de segurança.

“Há uma assimetria grande entre as remunerações das forças e serviços de segurança. Em nossa opinião essa assimetria deve tender para ser esbatida, mas isso não cabe ao diretor nacional, ainda não é o diretor nacional que define os índices remuneratórios dos polícias da PSP”, sustentou.

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