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Dez perguntas a Sara Cerdas (PS)

Este artigo tem mais de 6 anos

Num mundo ideal, os cidadãos teriam de pagar em impostos um quarto do salário que recebem? Num mundo ideal? Esse mundo não existe [riso]. Se tivesse de escolher, e tem mesmo de optar, a União Europeia devia fazer uma aliança comercial com a China ou com os Estados Unidos? Estas não são questões de sim…

Num mundo ideal, os cidadãos teriam de pagar em impostos um quarto do salário que recebem?

Num mundo ideal? Esse mundo não existe [riso].

Se tivesse de escolher, e tem mesmo de optar, a União Europeia devia fazer uma aliança comercial com a China ou com os Estados Unidos?

Estas não são questões de sim ou não, são questões e trabalhos que estão a ser desenvolvidos aqui no Parlamento Europeu — as instituições europeias desenvolvem-nos — e temos de ter atenção a eles no próximo mandato.

Acredita que é possível travar as alterações climáticas na legislatura europeia que agora começa?

Espero bem que sim. Acima de tudo, espero que consigamos minimizar, mitigar o impacto que a crise climática já está a ter. Todos os dados que nos têm chegado da parte de cientistas, de quem estuda estas questões, indicam que estamos a ter um aumento das temperaturas mais rápido do que seria expectável. Esperemos, para o bem de todos nós, que seja possível na próxima legislatura e que a Europa seja um líder global no combate às alterações climáticas.

Nos Censos de 2021 o INE devia ou não incluir uma pergunta sobre a origem étnica, as raízes, das pessoas?

[Riso] Só se der a cada um um kit para saber a componente genética, porque muitas pessoas só sabem de uma, duas, três gerações, mas se fizermos um estudo descobrimos outros genes. E descobrimos que, se calhar, é muito mais o que nos une do que o que nos separa. Acho que com a componente genética teríamos resultados interessantes, mas penso que não fosse de todo ético fazê-lo.

A União Europeia deve ter um exército próprio?

Também não é uma questão de sim ou não. Essa é uma questão que importa tratar e que importa discutir. Acima de tudo temos a questão da proteção civil, e é importante garantir que ao nível da União Europeia existe uma boa resposta em todos os eixos que constituem uma boa proteção civil, e depois a questão do exército será algo a ser desenvolvido.

Se não é o presidente que manda nisto tudo, e dizem-nos que não é, o que está a tornar tão difícil chegar a um consenso sobre quem serão os presidentes das diversas instituições da União Europeia?

Tem a ver com a pluralidade da Europa. O projeto europeu é algo muito bonito, mas temos de perceber que somos 28, cada um com as suas próprias culturas, e que precisamos de encontrar aqui um ponto em comum. Mas penso, e estou confiante, que iremos encontrar os próximos líderes nos próximos tempos.

Qual foi a primeira coisa que fez quando chegou a Estrasburgo?

Estrasburgo… Fui ao meu gabinete. E tem sofá. E ainda tinha lá os pertences do deputado anterior: umas sapatilhas velhas, não sei se eram uma prenda ou não, mas já tiraram.

Descreva a última vez que se irritou.

Pessoalmente? Bom, eu não gosto de migalhas no chão e em sítios improváveis. Não lhe chamaria irritar, tive de falar com quem partilho casa para não acontecer de novo.

Tem alguma comida de conforto?

Tenho. Estive agora a viver no estrangeiro, na Suécia, onde estava a fazer doutoramento, e sempre que ia a casa comia espetada com milho frito, como boa madeirense que sou, e uma boa dose de lapas grelhadas para entrada. E bolo do caco. E a brisa de maracujá. E agora estou a fazer um spot publicitário à Madeira [risos] e à nossa gastronomia, mas é a minha comida de eleição.

Alguém merece ter cem milhões de euros?

[Suspiro] Bem, eles existem, certo? Há prémios maiores no Euromilhões, não há? Eles existir, existem. O que acho é que quando nós nascemos temos de ter oportunidades para progredir e ter a tal mobilidade social. Nisso sim, acredito, que caso nasçamos em condições menos favoráveis tenhamos oportunidade de progredir.


Afinal, da esquerda à direita, os deputados europeus não são tão diferentes como poderíamos pensar. A maioria acredita mesmo que não pagamos demasiados impostos, é contra um exército europeu, prefere os EUA à China, admite irritar-se com facilidade e é bom garfo. Ainda assim, há diferenças. Estas foram as respostas de Sara Cerdas, mas a eurodeputada do PS não foi a única a responder. Saiba mais aqui.

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