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Dente de rinoceronte com 24 milhões de anos encontrado no ártico e isso pode ajudar no estudo dos dinossauros

Um dente de rinoceronte com 24 milhões de anos estava preservado em esmalte no arquipélago ártico canadiano. Os investigadores descobriram que o esmalte do dente protegeu proteínas mais antigas que o ADN mais ancestral, o que juntamente com o ADN, amplia os métodos arqueológicos.

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Um dente de rinoceronte tem 24 milhões de anos e foi encontrado no arquipélago ártico canadiano. De acordo com a CNN Science, o dente contém proteínas que são dez vezes mais antigas do que o ADN mais ancestral.  

O investigador, Ryan Sinclair Paterson, afirma que o “esmalte é tão forte que protege as proteínas ao longo do tempo”.

O estudo do ADN preservado em ossos, fósseis e sedimento revolucionou a ciência arqueológica. A investigação ajuda na descoberta de impérios perdidos, clãs misteriosos, criaturas da era glacial e espécies humanas até então desconhecidas. As proteínas antigas prometem uma revolução semelhante para fósseis com muitos milhões de anos e atualmente fora do alcance cronológico do ADN antigo.

As proteínas são compostas por aminoácidos, que são mais robustos do que o ADN, um molécula frágil que se degrada de forma relativamente fácil, informa a CNN. Ainda que a proteína contenha menos informação detalhada, ajuda a elucidar a história evolutiva de um espécime, a dieta e, em alguns casos, até mesmo o sexo de um fóssil.

 Enrico Cappellini, também investigador e professor da Universidade de Copenhaga, que diz à CNN esperar que o próximo passo seja demonstrar que o estudo de proteínas não é apenas uma amostra.

O estudo foi publicado no journal Nature no dia 9 de julho e mostrou o impacto do campo conhecido como Paleoproteómica.

Um rinoceronte misterioso 

Os dois investigadores, Ryan Paterson e Enrico Cappellini, recuperaram sete proteínas dentro do dente do rinoceronte. Segundo o Scientific American, foi usada a espectrometria de massa – que deteta o peso de um fragmento de proteína – permitindo inferir a sua composição  O ponto a seguir foi comparar a ordem dos aminoácidos com os dos parentes vivos e extintos para obter mais informação sobre a evolução do rinoceronte. A análise revelou que ele divergiu da mesma família dos rinocerontes vivos há cerca de 41 milhões a 25 milhões de anos.

Estudo em paralelo no Quénia 

Outro estudo, lançado no mesmo dia e no mesmo jornal, incidia sobre os fósseis da Bacia de Turkana, no Quénia. A análise sugere que as biomoléculas podem sobreviver por milhões de anos, mesmo em ambientes tropicais escaldantes. O estudo analisou dez fósseis de mamíferos, incluindo os parentes dos elefantes, hipopótamos e rinocerontes atuais, foi publicado por investigadores do Instituto de Conservação do Museu da Instituição Smithsonian e da Universidade de Harvard.

Martin Dhaenens, investigador na Universidade de Ghen, na Bélgica é especialista no estudo de proteínas. O analista não esteve presente no estudo e diz que a metodologia usada foi “complexa” e “menos testada”. Acrescenta que as conclusões dos investigadores são “difíceis de interpretar” e justificava uma análise mais profunda.

Evan Saitta, paleontólogo e investigador associado do Museu Field de História Natural de Chicago, disse que foi “chocante” encontrar proteínas preservadas em fósseis em latitudes tropicais e acrescentou que as descobertas precisavam de ser replicadas. Anteriormente, presumia-se que eram necessárias temperaturas frias para retardar a degradação das proteínas.

Obter proteínas de fósseis tão antigos seria o sonho de qualquer paleontólogo, disse Matthew Collins à CNN, professor McDonald de Paleoproteómica na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que concordou que a pesquisa sobre o fóssil canadiano era mais convincente. Collins, tal como Saitta, não esteve envolvido na nova pesquisa.

Podem os dinossauros ser os próximos?

Matthew Collins e Evan Saitta fazem parte de uma equipa que detectou aminoácidos num fragmento de casca de ovo de titanossauro. O ovo foi posto por um saurópode herbívoro, um dinossauro enorme e de pescoço longo que viveu no final do Cretáceo, pouco antes da extinção dos dinossauros, há 66 milhões de anos.

No entanto, a casca do ovo de dinossauro não apresentava sequências proteicas identificáveis. Os resultados foram semelhantes a identificar cinco letras num romance, revelando apenas um padrão de decomposição que mostrava que outrora havia proteínas na casca do ovo, disse Evan Saitta.

“Não resta nenhuma sequência, nenhuma informação, apenas pequenos blocos individuais de Lego (aminoácidos)”, disse Matthew Collins à CNN.

Obter informações sobre proteínas a partir de um dente de dinossauro é muito improvável, e Evan Saitta explica que desistiu de procurar proteínas em fósseis de dinossauros para explorar questões de investigação mais interessantes.

Não só os fósseis de dinossauros são muito mais antigos do que os fósseis dos dois estudos, observou o investigador, mas também datam principalmente de um período de aquecimento global, quando não havia calotas polares. Além disso, em média, os fósseis de dinossauros estão enterrados mais profundamente e, portanto, sofreram um calor geotérmico muito maior. Também não está claro se os dentes dos dinossauros tinham esmalte espesso o suficiente para preservar proteínas, acrescentou ele.

Enrico Cappellini e Ryan Paterson dizem que talvez seja possível recuperar informações úteis sobre proteínas a partir de fósseis de dinossauros dentro de 10 anos, embora haja outras questões interessantes a serem investigadas primeiro.

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