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Segundo a BBC, o cessar-fogo entrou em vigor impondo a suspensão de todos os movimentos de tropas e permitindo o regresso das populações deslocadas às zonas fronteiriças. Segundo o comunicado, caso a trégua se mantenha por 72 horas, 18 soldados cambojanos detidos pela Tailândia serão libertados.
A decisão foi alcançada após vários dias de negociações entre autoridades de Bangkok e Phnom Penh, com o objetivo de pôr fim ao mais recente ciclo de violência entre as duas nações. O documento conjunto estabelece medidas como o fim de ataques contra civis, infraestruturas e alvos militares.
“Ambas as partes devem evitar disparos não provocados ou qualquer avanço ou movimento de tropas em direção às posições do outro lado”, refere o comunicado, citado pelo orgão de comunicação britânico.
A libertação dos militares cambojanos, realizada “no espírito da Declaração de Kuala Lumpur”, remete para o acordo assinado em outubro na presença do presidente norte americano, Donald Trump, na Malásia. Esse cessar-fogo, no entanto, foi quebrado no início deste mês, com o regresso dos confrontos.
Desde então, cada lado tem responsabilizado o outro pela violação da trégua. O exército tailandês afirmou que respondeu a disparos cambojanos na província de Si Sa Ket, ação que feriu dois soldados tailandeses. Já o ministério da Defesa do Camboja assegura que foram as forças tailandesas que lançaram o primeiro ataque, desta vez na província cambojana de Preah Vihear, garantindo que o Camboja não retaliou.
Quase um milhão de pessoas foram deslocadas desde a retoma das hostilidades, com estradas e infraestruturas destruídas ao longo da linha fronteiriça.
Os conflitos fronteiriços entre Tailândia e Camboja remontam a mais de um século, mas ganharam força em maio, quando um soldado cambojano morreu num confronto. Em julho, cinco dias de combates intensos fizeram dezenas de mortos entre civis e militares, obrigando milhares de pessoas a fugir.
A intervenção da Malásia e do presidente Donald Trump permitiu negociar, em outubro, um cessar-fogo frágil, apelidado por Trump de “Acordos de Paz de Kuala Lumpur”. O pacto previa a retirada de armamento pesado da zona contestada e a criação de uma equipa internacional de observadores.
No entanto, em novembro, o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, suspendeu unilateralmente o acordo, alegando que a ameaça à segurança “não tinha realmente diminuído”.
Com o novo cessar-fogo agora em vigor, resta saber se a trégua resistirá às tensões históricas que moldam a relação entre os dois Estados do Sudeste Asiático.
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