• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Bulgária prepara entrada no euro entre instabilidade política e receios de desinformação russa

A Bulgária prepara-se para adotar o euro já em janeiro, num contexto de forte instabilidade política interna e receios de que campanhas de desinformação alinhadas com a Rússia estejam a aprofundar a desconfiança em relação à nova moeda.

Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O país balcânico, com cerca de 6,5 milhões de habitantes, tornar-se-á o 21.º Estado-membro a integrar a zona euro a 1 de janeiro, numa decisão que responsáveis políticos em Bruxelas e Sófia acreditam que poderá impulsionar a economia do país mais pobre da União Europeia e reforçar o seu alinhamento pró-ocidental.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que, “graças ao euro”, a Bulgária passará a ter mais comércio, mais investimento e mais “empregos de qualidade e rendimentos reais”.

Durante uma recente visita a Sófia, o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, sublinhou que a adesão assume especial importância num contexto marcado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, pelo aumento das tensões geopolíticas e pela incerteza económica global, fatores que “sublinham a importância da unidade europeia”.

“A maioria dos países europeus – incluindo a Bulgária – é demasiado pequena para moldar o mundo atual sozinha. Só ganha o peso necessário ao integrar-se plenamente nas grandes estruturas políticas e económicas da União Europeia”, afirmou.

Apesar dos benefícios apontados, o país está longe de estar unido. Um inquérito recente do Ministério das Finanças indica que 51% dos cidadãos apoiam a adesão ao euro, enquanto 45% se opõem.

As divisões tornaram-se visíveis no parlamento em junho, quando a entrada na zona euro foi aprovada pela Comissão Europeia, culminando numa luta física entre deputados, após membros do partido de extrema-direita e pró-russo Revival terem bloqueado a tribuna.

Para Petar Ganev, investigador sénior do Instituto de Economia de Mercado, em Sófia,, citado pelo The Guardian, a polémica em torno do euro reflete tensões políticas mais profundas. “Isto não é surpreendente. O país está dividido em quase tudo o que se possa imaginar”, afirmou. “Depois da instabilidade política, acabámos num ambiente político muito hostil”.

A Bulgária vive uma crise política há quatro anos, marcada por sete eleições legislativas, acusações generalizadas de corrupção e uma erosão da confiança nas instituições. No início de dezembro, o governo liderado pelo ex-primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov demitiu-se após menos de um ano em funções, na sequência de semanas de protestos anticorrupção em todo o país.

Embora o drama político não deva impedir a adoção do euro, muitos cidadãos temem um aumento dos preços durante a transição. Com um salário médio mensal de cerca de 1.100 libras, este cenário preocupa especialmente populações rurais e idosos, considerados os mais vulneráveis à inflação — apesar de Bruxelas garantir que não há provas de que a adesão provoque subida dos preços.

Do lado da oposição mais radical, Victor Papazov, macroeconomista e conselheiro do partido Revival, próximo do partido Rússia Unida de Vladimir Putin, comparou o cenário ao colapso financeiro da Grécia. “Qualquer pessoa em pleno juízo se oporia à adoção do euro”, escreveu. “Entrar agora vai tornar tudo pior e mais rápido. Na minha opinião, não existe um único aspeto positivo sério em adotar o euro”.

O líder do Revival, Kostadin Kostadinov, foi criticado este ano por afirmar, sem fundamento, que os búlgaros perderiam as suas poupanças devido a uma taxa de câmbio desfavorável após a adesão.

Entretanto, investigações jornalísticas identificaram redes de campanhas nas redes sociais ligadas à Rússia, destinadas a minar o apoio público ao euro através da disseminação de desinformação.

Questionado sobre a alegada influência russa, Dombrovskis afirmou que “não é segredo” que Moscovo está a travar uma guerra híbrida contra a Europa. “Inclui provocações, atos de sabotagem, violações do espaço aéreo europeu, interferência em processos políticos na União Europeia e a disseminação de desinformação”, disse.

Até 31 de janeiro, será possível pagar tanto em leva como em euro, passando depois a ser aceite apenas a moeda única. Petar Ganev acredita que a adaptação será rápida. “Depois de algumas semanas, os búlgaros vão habituar-se”, afirmou. “O que vai acontecer ao nosso país e se seremos um bom ou mau exemplo na zona euro depende inteiramente de nós”.

__

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.

Veja também

Em Destaque

Últimas