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Bombeiros sobem às janelas da Assembleia da República, mas deputados do Chega retiram pendões

Este artigo tem mais de 1 ano

Aguiar-Branco tinha referido que a publicidade contra o fim do corte nos vencimentos dos políticos iria ser retirada assim que possível. Nenhuma das tarjas está agora nas janelas da Assembleia da República.

Elementos do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa chegaram à Assembleia da República pelas 11:20 para retirar os pendões colocados pelo Chega, mas quando se aproximaram das janelas as faixas foram recolhidas a partir do interior do edifício.

Nas imagens transmitidas pelas televisões foi possível ver um dos bombeiros a falar com André Ventura numa das janelas. Momentos depois, as faixas foram retiradas através do interior do edifício por deputados do partido, entre os quais o líder.

Às 11h50 ainda decorria a retirada das faixas de outras janelas, em particular do edifício novo do parlamento, por parte de outros elementos do partido.

O presidente da Assembleia da República repudiou hoje a “vandalização política” do património nacional com a colocação de pendões do Chega contra o fim do corte nos vencimentos dos políticos e deu ordens para que seja retirada.

No arranque do último dia do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), José Pedro Aguiar-Branco quis dirigir-se aos deputados para dar conta do seu lamento e repudio pela colocação pelo Chega de vários pendões na fachada do edifício da Assembleia da República contra o fim do corte nos vencimentos dos políticos, que foi aprovado no âmbito orçamental.

Segundo o presidente, tratou-se de “vandalização política” no que diz respeito ao património nacional e foi uma “falta de respeito pelo parlamento”.

André Ventura, líder do Chega, respondeu à intervenção inicial de Aguiar-Branco para defender que o que está em causa é uma “ação de comunicação para o exterior com uma mensagem política clara” e que frisou que o partido “não abdica” de “na sua área de expressão política, no seus gabinetes, passar uma mensagem que queria passar”.

À intervenção de Ventura seguiram-se interpelações à mesa dos restantes partidos, com o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, a secundar a ação do presidente da AR e a afirmar que, ao contrário do que disse Ventura na sua intervenção, não foi aprovado qualquer aumento salarial aos políticos e o foi aprovada uma subida extraordinária e estrutural das pensões.

Alexandra Leitão, líder parlamentar do PS, interpelou Aguiar-Branco para afirmar que está em causa “o direito de todas as bancadas terem as suas opções sem estares sujeitas a este tipo de pressões”, defendendo que o plenário não deveria reunir enquanto os pendões estivessem na fachada da AR e descrevendo a ação do Chega como uma “força de coação”.

O bloquista Fabian Figueiredo apelou ao presidente da Assembleia da República que fizesse retirar os cartazes para que o plenário pudesse “debater e votar o Orçamento do Estado” e acrescentou, em oposição ao que foi pedido pelo PS, que o Bloco de Esquerda “não permitirá que o trabalho da Assembleia da República seja interrompido pelas distrações e provocações que a extrema-direita quer fazer para corroer o nosso sistema democrático”.

Mariana Leitão, líder parlamentar da IL, acusou o Chega de, além de desrespeitar o património, estar a “desrespeitar a democracia” e de “montar um espetáculo”, questionando depois o partido liderado por André Ventura sobre se, depois das críticas ao fim do corte salarial aos políticos, irá abdicar dos privilégios, despesas de representação e ajudas de custo de que beneficiam os deputados.

A líder parlamentar do PCP Paula Santos disse que o partido de André Ventura “procura sistematicamente desviar as atenções da Assembleia da República daquilo que deve ser o seu trabalho e do que devem ser as discussões no plenário” que é “resolver os problemas concretos da vida das pessoas”.

Inês de Sousa Real, do PAN, apelou também à interrupção dos trabalhos até à retirada das tarjas, e lembrou o que diz ter sido a oposição do Chega, no passado, ao uso de uma t-shirt pela deputada do PAN em plenário contra as atividades tauromáquicas.

Isabel Mendes Lopes, do Livre, juntou-se aos apelos do PS e do PAN para a interrupção dos trabalhos, afirmando que Aguiar-Branco “tem todas as ferramentas ao seu dispor para o fazer” por ter “uma chave mestra de todas as salas”.

Paulo Núncio, do CDS-PP, o último dos líderes parlamentares a intervir, interpelou o presidente do parlamento para que se iniciassem os trabalhos de discussão do Orçamento do Estado para 2025 e que se “deixasse de dar tempo e espaço a autores de atos de vandalismo”. “Comecemos os nossos trabalhos do Orçamento, que é para isso que os portugueses nos pagam”, concluiu.

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