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Bancos pedem aos contabilistas para “fazerem um jeitinho” ao passar declarações para aprovação de créditos. Ordem diz que houve mais de 90 pedidos

Este artigo tem mais de 5 anos

A denúncia foi feita pela bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, que refere a pressão da banca junto dos contabilistas para que validem falsas declarações. Em causa está a necessidade de justificar quebras acima dos 40% na faturação para poder ter acesso ao crédito.

Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, garante ao Jornal de Negócios que já recebeu queixas de mais de 90 profissionais, garantindo ir enviar provas para o Ministério Público. A denúncia pública foi feita numa conferência da Ordem, a 12 de agosto.

O pedido, por parte dos bancos, surge devido às quebras acima dos 40% na faturação dos clientes, que não são reais, mas que são necessárias para ser possível aceder às linhas de crédito com a garantia do Estado.

“Aquilo que temos conhecimento é que se está a passar algo que consideramos inaceitável, os bancos estarem a pedir aos contabilistas para fazerem ‘um jeitinho’ de passar estas declarações mesmo quando as empresas não apresentam esta quebra de faturação”, conta a responsável.

Para que a situação não avance, Paula Franco refere que, se chegarem queixas destas falsificações à Ordem, os casos serão levados a conselho disciplinar. “Serão consideradas falsas declarações e será considerado um erro grave”, garante. Desta forma, os contabilistas devem denunciar os casos sempre que os bancos peçam para validar as declarações.

“Estamos a falar de dinheiros públicos, falsas declarações é crime público”, refere. “Existe quebra de faturação, emitimos declaração. Não existe, não emitimos. Ou, no limite, se emitirmos, é dizer exatamente qual é a quebra de faturação e o banco que decida”, explica.

Paula Franco refere ainda que o caso “é gravíssimo”, admitindo que não percebe “como tantos colegas estão a cair nesta situação”. Sobre os bancos, a bastonária refere que tal pedido “é de uma falta de ética enorme”.

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