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Bairro do Talude: Famílias que viram as suas casas demolidas vão ficar em pensões, mas responsabilidade de encontrar casa é sua

Este artigo tem mais de 3 anos

Seis das oito famílias que ficaram sem casa depois da demolição camarária no início da semana, no bairro do Talude, em Loures, vão ficar temporariamente em pensões até encontrarem casa. A autarquia diz que a responsabilidade de procurar casas é “das pessoas”

A responsabilidade de procurar habitação “é das famílias”. De acordo com a autarquia, o município de Loures “tem em vigor, desde 30 de agosto de 2022, o Regulamento de Habitação do Município de Loures que integra, entre outros, o regime de atribuição das habitações municipais, sendo a perspetiva de realojamento em fogos municipais condicionada às condições previstas no referido regulamento e na lei habilitante” e sublinha que “as famílias visadas foram previamente orientadas para a possibilidade de recorrer ao serviço de ação social, tendo em vista a obtenção de apoio na procura de alternativas habitacionais”.

Portanto, “o acesso à habitação pública faz-se, invariavelmente, mediante formalização de candidatura do próprio e respetivo agregado familiar e obedece a critérios de elegibilidade”, explica.

Ao SAPO24, fonte da Câmara Municipal de Loures confirmou que será a Segurança Social a assumir a responsabilidade no pagamento das acomodações das famílias que foram temporariamente colocadas na Casa da Cultura de Sacavém e que serviu de abrigo de emergência até “ontem à noite, depois de irem para pensões”.

“Ao abrigo do plano de emergência, as famílias serão acompanhadas pela Segurança Social até conseguirem encontrar uma casa e cujas rendas serão apoiadas durante um período mínimo de 6 meses”, disse a mesma fonte.

“Eles [as famílias] têm de procurar casa para alugar e assim que encontrarem, será da responsabilidade da Segurança Social, porque “trata-se de um realojamento de emergência”

Contudo, são “eles [as famílias] que têm de procurar casa para alugar e assim que encontrarem, será da responsabilidade da Segurança Social, porque “trata-se de um realojamento de emergência”, declara a fonte, avançando ainda que de momento são seis famílias que precisam de acompanhamento.

“Uma das famílias ficou, entretanto, em casa de familiares, e a outra pessoa, que está doente, vai ficar a cargo da associação Vida e Paz. Houve também uma família que recusou o alojamento temporário. Portanto, de momento, estamos a falar de seis famílias, oitos adultos, duas crianças e dois bebés”.

Entretanto, contactada pelo SAPO24, a Segurança Social respondeu por email que “a atribuição de habitação social é uma competência dos municípios”, sem prestar mais esclarecimentos. Deixando no ar, uma vez mais, a incógnita para estas pessoas que são na sua maioria idosas, algumas doentes, incluindo crianças e uma jovem que está grávida e a necessitar de cuidados.

No início da semana, a Câmara de Loures confirmou à agência Lusa estar a levar a cabo a demolição de “oito construções ilegais” na localidade do Catujal.

De acordo com a associação Habita, a demolição aconteceu sem haver um plano prévio de realojamento adequado para as pessoas que ficaram na rua num dia de chuva com todos os seus pertences.

Ainda a mesma associação declarou que tentou opor-se “à barbárie do sistema que apenas defende a propriedade e o lucro e atira as pessoas para situações cada vez mais insustentáveis de pobreza e para a rua”.

Mas a Câmara Municipal de Loures sublinhou que está a cumprir o plano nacional de erradicação de barracas que consiste na demolição de construções ilegais passando os seus ocupantes para a habitação social. Ao SAPO24, a autarquia respondeu, formalmente, dizendo que as razões que levaram à demolição estão diretamente relacionadas com a “competência das câmaras municipais assegurar o combate à proliferação de novas construções de génese ilegal para fins habitacionais, bem como, promover a demolição de barracas construídas à margem da lei”.

Questionada sobre se tinham pensado em alternativas para os moradores daquelas habitações, antes da demolição, o executivo respondeu que “as famílias visadas foram informadas da ilicitude do ato praticado e da necessidade de proverem por uma alternativa, atendendo à impossibilidade de permanecerem naquele local. Estas diligências ocorreram nos dias seguintes à deteção das novas construções e em data anterior à comunicação da demolição,  efetuada alguns dias antes da demolição”, esclarece.

De acordo com a vice-presidente da Câmara, a demolição enquadra-se na política de habitação que o executivo municipal está a levar a cabo “de grande fiscalização no território de forma a não permitir a construção de novas habitações desta índole”, declarou Sónia Paixão, na terça-feira, à agência Lusa.

Ressurgimento de barracas

A Câmara Municipal lembra para o problema do ressurgimento das barracas (construções ilegais) no concelho. “No território de Loures, à semelhança do ocorrido noutros territórios, tem-se assistido à proliferação de novas construções de génese ilegal para fins habitacionais. Atualmente, no concelho de Loures, o número de construções abarracadas para fins habitacionais ultrapassa as cinco centenas”, informa a Câmara na missiva solicitada pelo SAPO24.

São “os próprios residentes” que constroem as habitações. “A autarquia tem efetuado a monitorização sistemática dos conjuntos habitacionais de génese ilegal, promovendo ações de fiscalização e acompanhamento necessários, procurando assegurar o combate à proliferação de novas construções.

O SAPO24 tentou obter um testemunho por parte da associação Habita, mas não obteve resposta até ao fecho deste artigo.

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