• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Ataque a hotel em Nairóbi termina ao fim de 20 horas com 21 mortes. Jason Spindler, americano que sobreviveu ao 11 de setembro, é uma das vítimas

Este artigo tem mais de 7 anos

As forças de segurança do Quénia acabaram ontem, depois de quase 20 horas, com um ataque do grupo islâmico somali Al Shebab contra um complexo hoteleiro de Nairóbi, que deixou pelo menos 21 mortos, entre os quais um norte-americano que tinha sobrevivido ao ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gémeas, nos EUA.

“Posso confirmar que a operação de segurança no complexo de Dusit terminou há uma hora e que todos os terroristas foram liquidados”, informou o presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, ontem, em conferência de imprensa. Kenyatta elogiou ainda o trabalho das forças de segurança, destacando que “mais de 700 civis foram retirados do complexo desde o início do ataque até as primeiras horas da manhã”.

O grupo Al Shebab informou que o ataque foi uma represália pela decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada americana de Israel para Jerusalém, numa mensagem captada pelo grupo de vigilância SITE. Segundo o SITE, o ataque foi orquestrado pelo líder da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri.

O ataque foi perpetrado por cinco indivíduos e todos morreram, segundo o chefe da polícia queniana, Joseph Boinnet. “Um foi o suicida que se explodiu, dois foram mortos durante a noite e outros dois hoje (na madrugada de quarta-feira)”. Boinnet informou ainda que o ataque matou 16 quenianos, um americano, um britânico e “três pessoas de origem africana ainda não identificadas”.

O americano que morreu no ataque é Jason Spindler, um consultor especializado em projetos de economias emergentes que tinha sobrevivido aos atentados de 11 de setembro de 2001 (11-S) nos Estados Unidos.

Jason Spindler “era um sobrevivente do 11-S e um lutador. Estou certo de que os enfrentou”, diss no Facebook o seu irmão, Jonathan. Spindler, que estudou na Universidade do Texas, em Austin, e na Universidade do Nova Iorque, integrou os Corpos de Paz no Peru.

Quando se deu o ataque de 11 de setembro de 2001, Spindler estava a trabalhar para o banco de investimentos Salomon Smith Barney, com sede no World Trade Center (Torres Gémeas), que desabou depois de ser atingido por aviões sequestrados por terroristas da Al-Qaeda.

Este foi o atentado mais sangrento da história dos Estados Unidos, com quase 3 mil mortos. Kevin Yu, amigo do consultor, disse que Spindler foi um herói do 11 de setembro, ao ajudar várias pessoas a sair do prédio em chamas. Proprietário da empresa de consultoria e investimentos I-Dev, Spindler trabalhava atualmente num projeto no Quénia.

A investigação

Um dos membros do comando de ataque foi identificado e a casa onde vivia em Ruaka, no subúrbio de Nairóbi, foi revistada pela polícia. Dois suspeitos foram detidos no bairro de maioria muçulmana de Eastleigh, e outro em Ruaka, informou à AFP o diretor de investigações criminais George Kinoti.

Boinnet revelou que o ataque coordenado contra o complexo DusitD2 começou com uma forte explosão, ouvida a mais de cinco quilómetros de distância. Depois, houve muitos disparos.

As imagens do circuito interno de segurança divulgadas pela imprensa local mostram quatro homens equipados com armas automáticas e granadas a entrar no complexo, e pelo menos um extremista detonou os seus explosivos.

Parentes das vítimas reuniram-se perto do necrotério, mas não foram autorizados a ver os corpos.

créditos: SIMON MAINA / AFP

“A minha irmã não está em nenhum hospital e, da última vez que nos falamos, ela, de repente, começou a chorar e a gritar, e eu ouvi tiros”, lamentou uma mulher chamada Njoki. “Não temos dúvida. O corpo dela deve estar aqui”, completou.

Num comunicado divulgado em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou veementemente” o ataque, descrito como “cobarde” pelo presidente da Comissão da União Africana, Mussa Faki.

Não é a primeira vez que o país vive um ataque tão violento.

Em 7 de agosto de 1998, um ataque reivindicado pela Al-Qaeda contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi deixou 213 mortos e 5.000 feridos.

E, desde que as Forças Armadas quenianas foram mobilizadas, em outubro de 2011, na Somália para combater os islamitas shebab, o Quénia passou a ser regularmente atacado.

Em 21 de setembro de 2013, um comando islamista atacou o centro comercial Westgate em Nairóbi. A operação para pôr fim ao ataque durou 80 horas e deixou 67 mortos.

Em 2 de abril de 2015, um ataque matou 148 pessoas na Universidade de Garissa (leste), a maioria estudantes.

Expulsos de Mogadíscio em 2011, os shebabs perderam grande parte dos seus bastiões. Continuam, porém, a controlar importantes setores rurais, de onde lançam operações de guerrilha e ataques suicidas.

O governo da Somália tem o apoio da comunidade internacional e dos cerca de 20.000 membros da União Africana na Somália (Amisom), que conta com elementos do Quénia.

Este ataque ocorre três anos após a operação contra a base queniana da Amisom de El Adde, no sul da Somália. Os shebabs alegaram ter matado 200 soldados quenianos.

* por Nicolas Delaunay e celine Clery / AFP

Veja também

Em Destaque

Últimas