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António Costa e antigos ministros de Guterres acusam Carlos Moedas de “falsidades” sobre Jorge Coelho

O atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, e vários antigos ministros do governo de António Guterres acusaram esta terça-feira o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, de ter proferido “falsidades” sobre o ex-ministro socialista Jorge Coelho, que morreu em 2021.

Num comunicado enviado à agência Lusa, os subscritores — entre eles Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues, Guilherme Oliveira Martins, Luís Capoulas Santos e Nuno Severiano Teixeira — manifestam “indignação” com as declarações de Moedas.

“Nós, companheiros de Jorge Coelho no Governo de António Guterres aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, queremos manifestar a nossa indignação pelas falsidades proclamadas pelo engenheiro Carlos Moedas sobre o que se passou em 2001. A atitude de Jorge Coelho foi um contributo importante para a defesa da democracia nos últimos 25 anos”, lê-se na nota.

Os signatários defendem que a reação conjunta surge por uma questão de dever: “Não podendo Jorge Coelho defender-se, é nosso dever defender a sua memória”.

As críticas surgem após a entrevista de Moedas à SIC, no domingo, onde o autarca recusou a comparação entre a sua responsabilidade no recente acidente do Elevador da Glória — que provocou 16 mortos e dezenas de feridos — e a demissão de Jorge Coelho, em 2001, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios.

Moedas afirmou que, ao contrário do caso atual, “o gabinete de Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente”. Para o autarca, a “responsabilidade política é quando o político sabe e não atua”.

As palavras geraram forte contestação no PS. O antigo presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues classificou-as como “mentiras”, lembrando que Jorge Coelho “não tinha qualquer informação” sobre o risco iminente da ponte. “Caso contrário, obviamente, teria proibido o acesso”, sublinhou.

A tragédia de Entre-os-Rios levou na altura à abertura de várias investigações e a uma comissão parlamentar de inquérito, cujo relatório final foi aprovado sem votos contra. Uma das entidades responsabilizadas foi o Instituto de Navegabilidade do Douro, que licenciava e fiscalizava a extração de areias no rio.

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