Num comunicado enviado à agência Lusa, os subscritores — entre eles Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues, Guilherme Oliveira Martins, Luís Capoulas Santos e Nuno Severiano Teixeira — manifestam “indignação” com as declarações de Moedas.
“Nós, companheiros de Jorge Coelho no Governo de António Guterres aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, queremos manifestar a nossa indignação pelas falsidades proclamadas pelo engenheiro Carlos Moedas sobre o que se passou em 2001. A atitude de Jorge Coelho foi um contributo importante para a defesa da democracia nos últimos 25 anos”, lê-se na nota.
Os signatários defendem que a reação conjunta surge por uma questão de dever: “Não podendo Jorge Coelho defender-se, é nosso dever defender a sua memória”.
As críticas surgem após a entrevista de Moedas à SIC, no domingo, onde o autarca recusou a comparação entre a sua responsabilidade no recente acidente do Elevador da Glória — que provocou 16 mortos e dezenas de feridos — e a demissão de Jorge Coelho, em 2001, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios.
Moedas afirmou que, ao contrário do caso atual, “o gabinete de Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente”. Para o autarca, a “responsabilidade política é quando o político sabe e não atua”.
As palavras geraram forte contestação no PS. O antigo presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues classificou-as como “mentiras”, lembrando que Jorge Coelho “não tinha qualquer informação” sobre o risco iminente da ponte. “Caso contrário, obviamente, teria proibido o acesso”, sublinhou.
A tragédia de Entre-os-Rios levou na altura à abertura de várias investigações e a uma comissão parlamentar de inquérito, cujo relatório final foi aprovado sem votos contra. Uma das entidades responsabilizadas foi o Instituto de Navegabilidade do Douro, que licenciava e fiscalizava a extração de areias no rio.
