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Antigo advogado de Vale e Azevedo defende Carris no Elevador da Glória

José António Barreiros foi escolhido pela anterior administração da transportadora na véspera da divulgação do relatório preliminar ao acidente, que matou 16 pessoas em setembro do ano passado. Contrato foi assinado um dia após a demissão da empresa então liderada por Pedro Bogas.

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A Carris escolheu o advogado José António Barreiros para defender a empresa na investigação ao Elevador da Glória. Através de um ajuste direto, a transportadora detida pela câmara de Lisboa escolheu o especialista em Direito Criminal em outubro de 2025, na véspera da divulgação do relatório preliminar ao acidente. O antigo advogado de figuras como João Vale e Azevedo, Zeinal Bava e José Castelo Branco irá receber 150 euros por cada hora de trabalho; a despesa poderá chegar até aos 45 mil euros, refere o contrato consultado pelo 24notícias e publicado no portal Base na passada sexta-feira, 2 de janeiro.

O documento foi assinado em 23 de outubro de 2025, três dias depois de o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) ter divulgado o relatório preliminar de investigação à tragédia do Elevador da Glória, que matou 16 pessoas em setembro de 2025. Para apurar as causas e responsabilidades do acidente, o caso está sob investigação criminal pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. José António Barreiros vai representar a transportadora durante o processo.

Foi em 9 de outubro último que o conselho de administração da Carris, então liderado por Pedro Bogas, decidiu contratar “serviços de representação jurídica” por causa do acidente com o elevador. Na semana seguinte, dia 16, ficou decidida a escolha do advogado especialista em Direito Criminal, com o contrato a ser assinado dia 23 de outubro, um dia após o presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, ter aceitado a demissão da então liderança da Carris. O contrato entre a transportadora e o advogado terminará no prazo máximo de três anos (36 meses) ou quando for esgotada a bolsa de 300 horas de trabalho.

O valor de 150 euros por hora cobre “todos os custos, encargos e despesas” que não sejam da responsabilidade da Carris, como alojamento, alimentação e deslocação de pessoas, além da compra, transporte, armazenamento e manutenção de meios materiais, detalha o documento. José António Barreiros tem cobrado o mesmo montante por hora para defender o general Mourato Nunes no caso das golas antifumo, indicou em dezembro último o jornal Público. A defesa do antigo presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil tem sido paga pelo Ministério da Administração Interna desde abril de 2021.

Nascido em Angola em 1949, José António Barreiros é um dos mais conhecidos advogados de direito criminal do país e tem escritório em nome próprio. Para dar alguns exemplos, entre 2005 e 2007, representou as vítimas de abusos sexuais no âmbito do processo Casa Pia; no final de 2003, defendeu José Castelo Branco num processo aduaneiro relativo a posse não declarada de joias; na mesma altura, foi o causídico de João Vale e Azevedo (antigo presidente do Benfica) em vários processos judiciais; mais recentemente, tem representado Manuel Fernando Espírito Santo, primo de Ricardo Salgado, no julgamento do processo principal do caso BES. 

No relatório preliminar ao acidente, o GPIAAF detetou, entre outros elementos, que a Carris não sabia quanto pesavam os veículos que circulavam no Elevador da Glória; que a capacidade de travagem de emergência nunca tinha sido testada apesar do aumento do peso ao longo das últimas décadas; a inexistência de documentos técnicos relativos aos veículos – com a transmissão do conhecimento através da oralidade; a não atualização de procedimentos técnico, relaxe e falta de reporte de ocorrências; e problemas com a encomenda e receção do cabo que fazia mover os veículos.

Em 3 de setembro de 2025, pelas 18h03, rompeu-se o cabo que sustentava um dos veículos do Elevador da glória, levando à perda de equilíbrio e das duas cabines. A cabine 2, que estava no fundo da Calçada da Glória, recuou subitamente e ficou parada; a cabine 1, no topo da calçada, aumentou repentinamente a velocidade e acabou por descarrilar cerca de 180 metros depois do início da descida, apesar de todos os esforços do guarda-freio, embatendo numa parede de um prédio da calçada entre os 41 e os 49 km/h, segundo o relatório do GPIAAF. 

O gabinete de investigação terá de divulgar o relatório final do acidente até setembro deste ano. A Carris é liderada desde o passado 1 de janeiro por Rui Lopo, ex-administrador da Carris Metropolitana, marca que representa os autocarros de 15 dos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa.

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