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De acordo com o Guia Hays 2026, 87% das empresas dizem querer recrutar ao longo do próximo ano, enquanto apenas 67% dos profissionais admitem procurar uma nova oportunidade, criando um hiato de 20 pontos percentuais — o mais elevado desde 2011.
Este desequilíbrio estrutural está a tornar a contratação num risco estratégico para as organizações, num contexto marcado pela escassez de talento técnico, pela dificuldade em concretizar processos de recrutamento e por elevados níveis de mobilidade profissional. A intenção recorde de recrutamento reflete a confiança das empresas na evolução da atividade económica e na expansão dos níveis de negócio, mas a menor disponibilidade dos profissionais está a limitar a concretização dessas ambições.
A dificuldade em contratar é particularmente acentuada em setores como a Indústria, Construção e Energia, sobretudo em funções técnicas ligadas à engenharia, manutenção, automação e perfis híbridos com competências técnicas e digitais. As áreas com maior prioridade de recrutamento em 2026 são os perfis comerciais, as tecnologias de informação e os engenheiros fora do setor de IT, seguidos das funções de suporte administrativo.
Do lado dos candidatos, o poder de decisão aumentou. Em 2025, 52% dos profissionais recusaram pelo menos uma oferta de emprego, o valor mais elevado desde que a Hays acompanha este indicador. A principal razão para a rejeição continua a ser o salário, apontado por 62% dos inquiridos, seguindo-se fatores como o pouco interesse do projeto ou função, a localização, as condições contratuais e a ausência de teletrabalho.
Apesar de mais de metade das empresas prever aumentos salariais em 2026, quase metade dos profissionais não antecipa qualquer melhoria na remuneração, o que evidencia um desfasamento entre expectativas e perceção de valor. Neste contexto, a transparência salarial assume um papel central: 85% dos profissionais dizem sentir-se mais motivados a candidatar-se quando o salário é indicado no anúncio, mas apenas uma minoria refere que as empresas divulgam bandas salariais ou critérios claros de progressão.
A formação surge como outro eixo crítico num mercado em que contratar é difícil e reter talento se tornou essencial. Embora a maioria das empresas afirme investir em programas de desenvolvimento, 31% dos profissionais dizem não receber qualquer apoio à melhoria de competências. As prioridades das organizações centram-se sobretudo em competências técnicas e digitais, enquanto muitos profissionais reconhecem a necessidade de atualização ou já estão a investir ativamente no seu desenvolvimento.
A Inteligência Artificial é outro fator de transformação do mercado de trabalho. Mais de 60% dos profissionais e empregadores já utilizam IA no quotidiano, com ganhos claros em produtividade, eficiência, análise de dados e criatividade. No entanto, a adoção está a avançar mais depressa do que a capacitação: uma parte significativa dos profissionais não recebeu formação estruturada, o que levanta riscos de utilização inconsistente e limita o potencial estratégico da tecnologia.
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