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Guterres: “A paz não é ingénua, é uma escolha corajosa”. A sessão de abertura por pontos

A 80.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA80) arrancou esta semana na sede da ONU, em Nova Iorque, marcando os 80 anos da fundação da organização, num contexto internacional fortemente marcado por múltiplas crises: da guerra à emergência climática, passando pelas tensões tecnológicas e desafios à democracia global. O tema escolhido para esta sessão é “Melhores…

O ciclo de sessões, iniciado a 22 de setembro, reúne cerca de 150 chefes de Estado e de Governo, além de representantes de organizações internacionais e da sociedade civil. No centro dos trabalhos estão temas como os conflitos armados em Gaza, Ucrânia e Sudão, a crise climática, a igualdade de género, a inteligência artificial e a reforma do sistema multilateral.

Logo na cerimónia de abertura da sessão especial que celebra os 80 anos da ONU, o secretário-geral António Guterres lembrou que a organização nasceu da dor e do trauma da Segunda Guerra Mundial, sublinhando que os fundadores da ONU não eram idealistas, mas sim realistas profundamente marcados pelos horrores do conflito. “A paz não é ingénua, é uma escolha corajosa”, afirmou Guterres, defendendo o fortalecimento da ONU para garantir um futuro partilhado e sustentável.

A presidente da atual sessão, Annalena Baerbock, reforçou esta mensagem ao sublinhar que “os tempos voltaram a escurecer”, mencionando diretamente os exemplos de Gaza, Ucrânia, Haiti e Sudão como espelhos da fragilidade global. Annalena Baerbock apelou a um “extraordinário sentido de responsabilidade coletiva”, lembrando que a Carta das Nações Unidas nasceu como um símbolo de esperança e deve continuar a servir de bússola moral num mundo cada vez mais polarizado.

A agenda da UNGA80 inclui debates gerais com intervenções dos 193 Estados-membros, além de cimeiras temáticas e reuniões paralelas. Entre os principais eventos destacam-se a conferência internacional sobre a solução pacífica da Questão Palestina, uma cimeira sobre a igualdade de género e os 30 anos da Conferência de Pequim, o SDG Moment, que avalia o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, e ainda uma reunião sobre governança da inteligência artificial, na qual se discutem os impactos éticos, sociais e de segurança dessa tecnologia.

Sessão de abertura

  • Brasil

O primeiro a discursar é Lula da Silva, presidente do Brasil. Donald Trump é o próximo a subir ao púlpito, mas ainda não está na sala. Lula da Silva congratula o facto de Brasil ter saido da lista de países de forma extreema, mas lamenta a realidade do reto do mundo. “A pobreza é tão inimiga da demoracia como o extremismo”, comenta, “temos de combater a fome e a pobreza em todo o mundo”.

Abordando outros tópicos, desde a prisão de Bolsonaro, à crise climática e aos perigos da internet, Lula da Silva conclui que os objetivos do G20 e da ONU devem promover a “revisão de prioridades” e incentivar a criação de soluções para todo os países, inclusive na América Latina olhada como “terrorista”.

O presidente brasileiro critica ainda a decisão dos Estados Unidos da América de negar visto às autoridades palestinianas para a participação na ONU.

Não há uma “bancada” Palestina formal na ONU, mas sim uma Delegação da Palestina que atua como Estado Observador Não-Membro desde 2012. Em 2024, o estatuuto foi ampliado para ter mais direitos e participação na Assembleia-Geral, mas sem direito a voto ou a candidatura a órgãos da ONU.

  • EUA

Donald Trump começa a sua intervenção com a confiança e carisma a que nos tem habituado. A primeira parte do seu discurso é dedicado ao elogio da situação do país, devido, segundo o mesmo, à passagem do presidente pela Casa Branca. Para Trump, todos os países da ONU beneficiam deste trabalho.

Entre as medidas destacadas, o presidente norte-americano sublinha o reforço fronteiriço e o combate ao crime de droga. O que o presidente não refere é o transtorno que as deportações em massa de imigrantes a viver nos EUA causaram nas ruas de Los Angeles. Manifestações violentas mostraram o descontentamento da população face à separação de famílias e à falta de apoio social, ao contrário do que Trump diz ser “a opinião do povo americano”.

Não é verdade que haja evidência sólida de que imigrantes, legais ou ilegais, sejam responsáveis por taxas mais elevadas de crime nos EUA como um todo. Fontes independentes e estudos académicos apontam precisamente o contrário: imigrantes têm, em várias pesquisas, taxas de crime iguais ou inferiores às da população nascida no país.

Por exemplo, uma análise da CNN com dados do ICE – responsável pelas deportações – mostra que menos de 10% dos detidos têm condenações por crimes violentos, enquanto a maioria dos casos envolve infrações migratórias ou tráfico não‑violento, provando o discurso de Trump errado. As afirmações de que imigrantes são culpados principais de crime organizado ou tráfico humano nos EUA não se sustentam nos dados disponíveis.

Donald Trump continua a parabenizar-se pelo trabalho realizado no contexto internacional: “Travei sete guerras, e nenhum outro país conseguiu algo semelhante, nem as Nações Unidas, que tinham esse dever”.  E acrescenta: “As Nações Unidas pouco ou nada têm feito”.

Sobre Gaza, o presidente norte-americano acredita que o reconhecimento do Estado da Palestina alimenta o poder do Hamas, a quem exige a libertação dos reféns israelitas. No ano passado, Trump chegou a sugerir a reconstrução de Gaza numa “riviera do Médio Oriente”, desconsiderando a autonomia dos cidadãos palestinianos.

Por fim, ameaça a liderança russa com fortes tarifas repreensivas caso a guerra não acabe brevemente e avança que a administração norte-americana está preparada para combater a segurança e cibersegurança do mundo.

  • ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, começou por declarar que a falta de responsabilização internacional tem alimentado alguns dos conflitos mais graves da atualidade, destacando os casos do Sudão, da Ucrânia e de Gaza.

No discurso de abertura do debate anual da Assembleia-Geral da ONU, Guterres criticou países que “agem como se as regras não lhes fossem aplicáveis” e insistiu que a impunidade é “a mãe do caos”.

O líder da ONU começou por se referir ao conflito sudanês, onde denunciou massacres de civis, fome generalizada e repressão. Passando para a guerra na Ucrânia, Guterres sublinhou que a ofensiva continua a atingir civis e a destruir infraestruturas, colocando em risco a segurança global. Reconheceu esforços diplomáticos recentes dos Estados Unidos e de outros Estados e apelou a um cessar-fogo que permita avançar para “uma paz justa e duradoura” de acordo com a Carta da ONU e o direito internacional.

Relativamente a Gaza, o secretário-geral descreveu a situação como a mais devastadora que testemunhou nos seus mandatos. Lembrou que o Tribunal Internacional de Justiça já impôs medidas obrigatórias no caso de alegado genocídio, mas alertou que desde então a crise só agravou, com fome declarada e aumento do número de mortes.

Num tom global, Guterres lembrou que, além destes conflitos, há crises abertas do Haiti ao Sahel, e advertiu: “Quando a responsabilização desaparece, os cemitérios enchem-se.” Dirigiu-se ainda ao Conselho de Segurança, pedindo reformas que o tornem mais representativo, transparente e eficaz, lamentando os bloqueios provocados pelo uso do veto.

No que será o penúltimo discurso de abertura da Assembleia-Geral do seu mandato, Guterres alertou contra injustiças que alimentam exclusão e corrupção, defendendo uma aposta clara nos direitos humanos. “A paz não é ingénua, é uma escolha corajosa”, concluiu.

Um órgão de cooperação

A Assembleia Geral da ONU continua a ser o principal órgão deliberativo e representativo das Nações Unidas, com uma composição universal, 193 Estados-membros com direito a voto. As suas funções incluem a aprovação do orçamento da ONU, a eleição de membros de órgãos como o Conselho de Segurança e o Conselho de Direitos Humanos, a nomeação do secretário-geral (com base em recomendação do CS), e a adoção de resoluções sobre paz, segurança, direitos humanos, desenvolvimento e cooperação internacional.

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