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De acordo com relatos clínicos, serviços de urgência têm identificado situações relacionadas com a prática, que desafia os participantes a tomar quantidades muito acima do recomendado, colocando em risco a própria vida. Segundo o jornal espanhol El País, no Hospital Regional de Málaga, médicos alertaram para episódios em que menores terão ingerido até 10 gramas de uma só vez, mais do dobro da dose máxima diária segura.
Manuel Magalhães, médico pediatra, fez um vídeo para a sua página de Instagram, opediatrapt, onde fala sobre o “desafio paracetamol” que denomina de um dos desafios “mais parvos e perigosos que os adolescentes estão a fazer”. Deixando na publicação um alerta aos pais e cuidadores dos jovens sobre o medicamento e as suas indicações.
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Embora esteja agora a gerar nova atenção mediática, alertas sobre comportamentos deste tipo não são inéditos. O jornal britânico The Guardian já noticiava avisos policiais em 2015, que alertavam para o risco de insuficiência hepática, renal e morte associado a sobredosagens deliberadas.
Casos e advertências foram entretanto relatados em países como Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Suíça e Argentina. Na maioria das situações, as autoridades não confirmaram desafios virais organizados, mas sim comportamentos pontuais amplificados por redes sociais, o que levou à emissão de avisos preventivos.
Com o aumento de vídeos de alerta publicados online, a rede social TikTok afirmou proibir conteúdos que incentivem comportamentos perigosos e garantiu não ter identificado o desafio como tendência dominante na plataforma.
A empresa reagiu publicamente após a morte de Jacob Stevens, um jovem de 13 anos, nos Estados Unidos, que terá participado numa prática do género. O adolescente esteve em coma durante uma semana antes de morrer, em novembro do ano passado.
Segundo a plataforma, pesquisas relacionadas com desafios perigosos são bloqueadas há vários anos e equipas de segurança dedicadas monitorizam e removem conteúdos que violem as diretrizes da comunidade.
Um medicamento comum, mas com riscos graves em sobredosagem
O paracetamol é amplamente utilizado para aliviar dores ligeiras a moderadas e reduzir a febre, sendo comum em situações como dores de cabeça, musculares, dentárias, menstruais ou sintomas gripais. Quando administrado corretamente, é considerado seguro e eficaz para a maioria das pessoas.
Contudo, a Ordem dos Farmacêuticos alerta que a dose máxima diária não deve ultrapassar 4 gramas (500 mg a 1 g em intervalos de 4 a 6 horas), podendo ser inferior em pessoas com doença hepática.
Os primeiros sinais de sobredosagem surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudorese, mal-estar e sonolência. À medida que a lesão hepática progride, pode surgir dor abdominal, evoluindo para falência do fígado e complicações potencialmente fatais.
Apesar de muitas pesquisas nas redes sociais revelarem sobretudo conteúdos de sensibilização, e não de incentivo direto, especialistas sublinham que a repetição de alertas demonstra a necessidade de vigilância contínua, sobretudo entre os mais jovens.
No Reino Unido e noutros países, a venda deste tipo de medicamento sem receita médica é limitada em quantidade. Em Portugal, o paracetamol pode ser adquirido sem prescrição, estando disponível em diferentes dosagens e marcas, o que reforça a importância de campanhas de literacia em saúde sobre o seu uso seguro.
Profissionais defendem que a resposta deve passar não apenas pela monitorização digital, mas também pela educação para o risco, lembrando que um medicamento comum pode tornar-se altamente perigoso quando utilizado fora das doses recomendadas.
