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Depressão Kristin: seis vítimas mortais e mais de quatro mil ocorrências

Portugal continental está a ser fortemente afetado pela passagem da depressão Kristin, a terceira a atingir o país em poucos dias, depois das tempestades Ingrid e Joseph. A depressão trouxe chuva intensa, vento forte, neve e agitação marítima, levando o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir vários avisos meteorológicos e a…

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Entre as 00h00 e as 14h00 desta quarta-feira, a Proteção Civil registou quase 4.183 ocorrências em todo o país, um número que deverá aumentar, uma vez que muitas situações ainda não tinham sido contabilizadas.

O Governo anunciou esta quarta-feira, em comunicado, que a depressão Kristin fez duas mortes em Portugal Continental e apelou à população para respeitar as orientações das autoridades.

“O Governo lamenta profundamente a perda de duas vidas e apresenta sentidas condolências às famílias”, lê-se na nota. O Executivo sublinha que “tem estado a acompanhar em permanência o impacto da tempestade Kristin em território nacional” e reforça que é “fundamental seguir as orientações das autoridades, evitando circulação em zonas mais afetadas”.

Em conferência de imprensa, José Manuel Moura, explicou que todos os agentes de Proteção Civil estão a fazer um “extraordinário trabalho”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pela Ministra da Administração Interna, já se reuniu com direção da ANEPC esta tarde para se inteirar “do ponto da situação provocada pela tempestade Kristin”. No mesmo comunicado, no site da presidência, Marcelo exprimiu “a sua solidariedade e sentidas condolências às famílias enlutadas”.

Há até ao momento seis vítimas mortais relacionadas com o mau tempo. Uma das mortes ocorreu no concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, enquanto três foram registadas no concelho de Leiria. O esclarecimento surge após o município de Leiria ter inicialmente avançado com a existência de dois óbitos diretamente associados ao impacto da depressão e de outras duas mortes resultantes de paragens cardiorrespiratórias, cuja eventual ligação às condições meteorológicas adversas se encontrava ainda em averiguação.

Numa nota recebida pela agência Lusa às 15h15 e citada pelo jornal ECO, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil esclarece que, “até ao momento”, estão confirmadas três mortes no concelho de Leiria relacionadas com o mau tempo. Duas ocorreram na localidade de Carvide, uma vítima atingida por uma chapa metálica e outra que ficou presa na estrutura da própria habitação, e a terceira em Fonte Oleiro, onde uma pessoa foi encontrada em paragem cardiorrespiratória numa obra.

A vítima mortal registada em Vila Franca de Xira, anunciada anteriormente durante a manhã, resultou da queda de uma árvore sobre um veículo ligeiro. Tratava-se de um distribuidor de pão que se encontrava a trabalhar no momento do acidente.

Na Marinha Grande, também em Leiria, um homem de 34 anos morreu na sequência dos efeitos do mau tempo associados à passagem da depressão Kristin. Em comunicado enviado à agência Lusa, a Câmara Municipal informou ter ativado o Plano Municipal de Emergência, face aos danos registados no concelho. Além da vítima mortal, foram contabilizados cerca de dez feridos ligeiros, aproximadamente meia centena de desalojados e várias situações de destruição em diferentes zonas do território.

Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, esteve em Leiria e explicou à RTP que “o sistema de proteção civil deu resposta e que agora vamos encontrar nas nossas áreas de governação forma de intensificar os meios”.

Quanto à eletricidade, o secretário explicou “que a e-Redes está a fazer um esforço adicional”, sendo que agora temos “cerca de 400 mil pessoas ainda sem energia, mas de manhã era cerca de um milhão”. A última atualização da E-Redes, das 15h, dá conta de 485 mil clientes sem eletricidade, dos quais mais de metade em Leiria.

No segundo briefing do dia em Leiria, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, comunicou aos jornalistas que o levantamento dos prejuízos ainda está em curso, mas “é bastante elevado”.

“Os prejuízos ainda não estão calculados, mas é imprevisível calcular os danos que provoca na vida das pessoas. Temos cenários dantescos de igrejas sem telhados, pavilhões desportivos sem coberturas, muitas casas sem telha, casas e carros totalmente destruídos, gruas derrubadas. É um cenário próprio de pós-catástrofe, muito parecido com aquilo que costumamos ver na televisão, num ambiente de guerra”, destacou.

Referindo que a “recuperação da normalidade, irá demorar muitos dias”, o autarca advertiu que o “plano de recuperação irá demorar mais de um ano até ser reposta toda a normalidade”.

Segundo o presidente, os prejuízos são “enormes para aquilo que é o património das pessoas, que ficaram sem carros e com as casas destruídas”, voltando a reiterar ao Governo que decrete o “estado de calamidade, abrindo capacidade de apoios financeiros para a recuperação da economia e para o restabelecimento da vida normal”.
Também no concelho de Silves foi registada uma vítima mortal. Uma mulher de 85 anos morreu depois de o automóvel em que seguia ter sido arrastado por um curso de água que transbordou devido à chuva intensa.

Escolas encerradas e metro suspenso em Coimbra

A zona mais afetada situa-se no distrito de Coimbra, estendendo-se para norte até Aveiro e para sul até Leiria. O IPMA classificou a depressão Kristin como um fenómeno de “ciclogénese explosiva”, caracterizado por forte intensidade de vento e precipitação. Em Coimbra, a Câmara Municipal determinou o encerramento das escolas como medida preventiva.

O serviço do Metro Mondego está totalmente suspenso nos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã. De acordo com a Câmara Municipal, o serviço urbano e suburbano foi interrompido devido ao mau tempo, não havendo ainda previsão para a reposição total, embora estejam a ser feitos esforços para reativar primeiro o troço urbano. As escolas de Miranda do Corvo também permanecem encerradas.

Queda de roda gigante na Figueira da Foz

Na Figueira da Foz, a força do vento provocou a queda da roda gigante instalada na marginal. Ainda na região do Baixo Mondego, parte do telhado da antiga Universidade Internacional desabou e atingiu pelo menos sete viaturas. Registaram-se também estragos na esquadra da PSP e a antiga Estrada Nacional 111, entre Maiorca e Montemor-o-Velho, encontra-se cortada devido à queda de árvores, na chamada Estrada das Pontes.

Segundo as autoridades locais, a depressão Kristin terá atingido esta zona durante cerca de 10 minutos, um período mais curto do que o registado aquando da passagem da tempestade Leslie, em outubro de 2018, mas suficiente para causar danos significativos.

Atrasos nos comboios Fertagus

No distrito de Lisboa e Setúbal, a queda de uma árvore sobre a linha ferroviária da Fertagus obrigou à circulação em via única entre Palmela e Pinhal Novo, provocando atrasos na ligação ferroviária entre Roma-Areeiro e Setúbal.

850 mil sem eletricidade

O mau tempo teve ainda um impacto significativo no fornecimento de energia elétrica. Às 07h00, mais de 850 mil clientes estavam sem eletricidade em Portugal continental, depois de um pico de cerca de um milhão de clientes afetados por volta das 06h00. Os distritos mais atingidos são Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal. Durante a madrugada, cerca de 40 mil clientes ficaram sem energia no distrito de Viana do Castelo.

A E-Redes indicou que as condições meteorológicas adversas provocaram danos extensos na rede de distribuição de eletricidade, afetando infraestruturas de Alta, Média e Baixa Tensão. As operações de reparação foram dificultadas pelo mau tempo, mas as equipas encontram-se agora no terreno com melhores condições de mobilidade.

Em Torres Vedras, a tempestade deixou um rasto de destruição, com árvores de grande e médio porte e postes de eletricidade derrubados. Vários estabelecimentos ficaram destruídos, incluindo uma oficina cujo teto foi arrancado pela força do vento. Também se registaram danos na Escola Secundária Madeira Torres. Segundo a Proteção Civil municipal, o cenário repete-se em várias zonas do concelho, incluindo áreas mais rurais.

A Proteção Civil mantém o estado de prontidão especial de nível 4 ao longo de toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, enquanto a depressão Kristin continua a atravessar o território continental.

Estragos na A8

Para além dos estragos registados em zonas urbanas e nos distritos mais afetados, as consequências da depressão Kristin também se fizeram sentir nas principais vias do país. Nas imagens partilhadas por um utilizador no Instagram, é possível ver os danos provocados pelo mau tempo na A8, na direção de Óbidos, com árvores e detritos a bloquearem parte da estrada e a condicionar o trânsito.

A1 reaberta em ambos os sentidos

Está reaberta a circulação na A1 em ambos os sentidos, estando resolvido o incidente ocorrido próximo de Leiria, segundo informa a Brisa Concessão Rodoviária.

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Operadoras em baixo

A tempestade Kristin causou danos significativos nas infraestruturas das operadoras de telecomunicações, afetando os serviços telefónicos móveis e fixos em várias zonas do país, com maior incidência na região centro de Portugal continental.

De acordo com a Vodafone, registaram-se múltiplos cortes em linhas de fibra ótica, uma situação agravada por falhas prolongadas no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas. “Confirmamos a existência de danos nas infraestruturas de comunicação das redes móvel e fixa, com maior impacto na zona centro, tanto no litoral como no interior”, indicou fonte oficial da operadora à agência Lusa, citada pela SIC Notícias.

A empresa adianta que ativou de imediato os mecanismos de continuidade de operação e tem equipas técnicas no terreno a trabalhar na reposição dos serviços “com a maior celeridade possível”.

Também a MEO confirmou a existência de perturbações no serviço em várias regiões do país, associadas aos cortes de energia que afetam diretamente o funcionamento das redes de telecomunicações. Segundo fonte oficial, a operadora acionou de forma preventiva o plano de atuação de crise para situações de catástrofes naturais, com o objetivo de mitigar os danos causados.

A MEO acrescenta que está em contacto permanente com as autoridades, os municípios e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), assegurando apoio e coordenação na gestão das ocorrências. “As prioridades para a recuperação do serviço estão definidas e as equipas no terreno irão atuar o mais rapidamente possível, dadas as circunstâncias”, refere a empresa.

CP suspende venda de bilhetes de Alfa Pendular e Intercidades

Devido aos efeitos da depressão Kristin por Portugal, a CP suspendeu a venda de bilhetes para os Alfa Pendular e Intercidades das linhas do Norte, Beira Alta e Beira Baixa até quinta-feira.

A circulação ferroviária continua suspensa entre Porto e Lisboa para comboios de longo curso na Linha do Norte, onde também está suspenso o serviço regional entre Coimbra B e Entroncamento. Também está suspensa a circulação ferroviária nas linhas da Beira Baixa e do Oeste, segundo o mais recente balanço da CP.

Artigo atualizado às 22h35

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