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Em quem é que votamos, quando votamos?

A opinião de

O direito ao voto universal é verdadeiramente a grande conquista da democracia. Este direito não discrimina sexos, religiões, grau de instrução, ou grau de propriedade, nem há escrutínio político dos cadernos eleitorais, como aconteceu sob uma ou outra forma, em várias fases históricas do passado, fosse nos períodos liberais, fosse na ditadura. O direito ao…

Mas há uns mais iguais do que outros… E os resultados traduzem também essa desigualdade. É isso que temos que aceitar, encarar e interpretar. 

Mais ou menos instruídos, grande parte dos votantes vota no desempenho eleitoral e não nos conteúdos dos partidos. Durante a campanha e nos dias seguintes são justificados os resultados pela maneira de falar, sorrir, gesticular, olhar, dos candidatos que representam os vários partidos. As ideias que representa não são avaliadas e são substituídas pelas frases circunstanciais, pelo porte, pelo estilo. Os partidos com mais dinheiro têm mais balões, mais cartazes e mais arruadas e isso eterniza-os em presenças futuras. De modo que os resultados não são exactamente como no futebol e seus adeptos, mas tem uma componente que está lá perto. É isso que temos que aceitar e, apesar disso, lutemos para que o voto universal permaneça. É a única forma possível de democracia. Nas eleições autárquicas o fenómeno repete-se, mas poderá haver maior avaliação dos candidatos e suas obras. No entanto, para além destas poderia haver outras formas de democracia. Digamos, por exemplo, que os directores clínicos e os enfermeiros directores dos hospitais e dos Centros de Saúde deveriam ser eleitos pelos respectivos grupos profissionais e o plano orçamental e de gestão ser conhecido e discutido por todos os profissionais, ou, pelo menos, pelos mais envolvidos. 

A assinatura do contrato-programa dos serviços é apenas uma formalidade em que a Administração impõe uma “concordância”. Isto não seria nenhuma “bagunça”, mas seria sim democracia com envolvimento e conhecimento dos profissionais. 

Vejo que, no concelho do Barreiro, onde nasci, mas onde não voto, tem como freguesia com maior percentagem do Chega, a freguesia de Coina/Palhais, a mais periférica, a de passado mais rural, eventualmente a que tem mais dificuldades económicas e sociais. É preciso chegar lá e falar com as pessoas não de forma doutrinária, nem com promessas, mas com obras reais e ensino. Vejo também que em Lisboa, as freguesias com mais população a nível universitário têm menos de 10% a votar CHEGA. Olhando para isto, até parece que há uma luta de classes… Os que estão acima distanciam-se daqueles brutos reais. Os que estão abaixo protestam.

Talvez se possa chegar junto destes. Os Governos, entre eles o actual, dando resposta às necessidades: na Saúde, na Habitação e nos Salários. Para isso é necessário dinheiro. E para haver dinheiro é necessário haver impostos. Para tal deverá negociar com o PS taco a taco cada Orçamento Geral de Estado (OGE), em que este último não deverá olhar a tácticas, mas ser negociador de facto. Os pequenos partidos de esquerda não terão necessidade de tácticas, já tiveram oportunidade de negociar (ou não) com o PS no OGE de 2022. À Esquerda terão todos que negociar sim, em relação às eleições autárquicas que se aproximam. Se quiserem vencer o CHEGA.

Descomplicar com palavras simples

Lembremos que o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália tomaram o poder, não por via de terem ganho as eleições, mas por via parlamentar, tendo uns sido designados pelo presidente e os outros pelo rei. Lembrando uma fonte directa (Hawbsman) e uma fonte indirecta (Richard Zimmler) havia pessoas a mudarem de uma manifestação contra, para outra a favor, uns dias depois. 

E é preciso deixar o discurso do desabafo e doutrinário e explicar ao maior número de pessoas. Explicar a vida quotidiana. 

Por duas vezes me meti em aventuras eleitorais, já faz uns anos. Perdi sempre, mas não me arrependo. Numa tive o privilégio de acompanhar o Arquitecto Ribeiro Teles e ouvi-lo explicar junto dos terrenos cultivados, a possibilidade de fazer agricultura “biológica”, sem fertilizantes e inseticidas químicos. Talvez não tivesse dado votos, mas a ideia espalhou-se e deu vários frutos. 

A outra oportunidade foi participar com José Maria Castro Caldas numa reunião alargada em Sines, na qual ele explicou, com palavras que todos percebiam, o que era a inflacção, o que era o défice, o que é a dívida, o que tinha sido a crise de 2008, o que é a sustentabilidade e o desenvolvimento, sem doutrinar. Esses termos que as pessoas ouvem todos os dias nos vários canais de televisão e na boca de vários comentadores, encriptadas e nebulosas. Mas “falam muito bem”. Não há muitos Ribeiro Teles, nem José Maria Castro Caldas. Mas podemos fazer um esforço. 

 

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