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Leonardo Jardim: No Sporting era apenas para ganhar. No Mónaco acrescenta o espetáculo

Este artigo tem mais de 9 anos

Leonardo Jardim explicou as razões da transformação de um treinador resultadista em alguém que pode dar espetáculo. Treinador do Mónaco recorda passagem por Alvalade, fala sobre os jogadores cedidos às seleções e sobre o futebol nacional.

Leonardo Jardim foi um dos oradores do primeiro dia do Football Talks, que decorre no Centro de Congressos do Estoril até à próxima sexta-feira. O treinador do Mónaco, que se apresentou em conversa com o moderador Carlos Daniel, falou sobre performance desportiva recordando a passagem pelo Sporting e o atual momento que vive em França.

Jardim explicou porque o conjunto monegasco deixou de ser uma equipa resultadistas e se transformou numa autêntica máquina goleadora.

“Quando comecei a treinar o Sporting, vindo de um sétimo lugar, tinha de ter resultados, a prioridade era apenas ganhar. No Mónaco (clube onde está há três anos) agora claro que quero ganhar e dar um pouco de espetáculo. Ou seja, quando não tenho a possibilidade de ter os melhores jogadores procuro apenas ganhar. Quando podemos conciliar os resultados com o espetáculo, melhor”, sublinhou.

“Hoje em dia dou mais importância à gestão. Mas há 10 anos, quando treinava o Chaves, privilegiava o treino. São realidades diferentes e temos que nos adaptar”, realçou o treinador português.

É esta a marca deste Mónaco, uma equipa ofensiva e coordenada. As bases foram lançadas ao longo de três anos e isso reflete-se na capacidade dos jogadores jogarem de costas uns para os outros.

As boas relações com os selecionadores

Instado a comentar a relação entre clubes e seleções, Leonardo Jardim salientou que “os jogos da seleções são uma desadaptação para os jogadores que estão adaptados à forma de estar no clube. Os treinadores e a estratégia não são as mesmos”, realça. “Quando recebemos jogadores das seleções não estão nas melhores condições para jogar em três dias. Mas temos que viver com isso”, admite.

De forma a solucionar esta questão, “o mais importante é manter uma boa relação com os selecionadores”, algo que consegue fazer com “Fernando Santos e com Didier Deschamps”, referiu.

Jardim deixa um exemplo. “Vou jogar a final da Taça da Liga no sábado (dia 1 de abril) e tenho 14 jogadores nas seleções, que só deverão chegar na quarta-feira. Claro que não gostaria que jogassem os 90 minutos pelas suas seleções”.

O selecionador francês chamou quatro jogadores da equipa do Jardim: os defesas Benjamin Mendy e Djibril Sidibé, o médio Thomas Lemar e o avançado Kylian Mbappé, de apenas 18 anos.

Em março de 2016, a dois meses de terminar a temporada desportiva, o Mónaco está “na luta” nas quatro competições em que iniciou a época, tem o ataque mais avassalador da Europa e alguns dos jovens mais promissores do futebol mundial. De acordo com o ZeroZero.pt, são contabilizados 146 golos marcados em 55 jogos (incluindo pré-época). Os monegascos assumem uma média impressionante de 2,65 golos por jogo.

A adaptação do treinador português e a luta a dois na Liga portuguesa

O sucesso dos treinadores portugueses espalhados pelo mundo tem uma explicação para o timoneiro do líder do campeonato francês. Deve-se à “capacidade de adaptação” e “aos conhecimentos” adquiridos, destacando que os treinadores lusos “têm capacidade de falar de futebol, mas também de medicina desportiva e de gestão”, algo que lhes é proporcionado pelo “trabalho realizado pelas várias associações”.

À margem da sua participação no Football Talks, Leonardo Jardim comentou o futebol nacional. “A luta está a ser a dois, o Sporting atrasou-se e o mister [Jorge Jesus] acreditava que ia ser uma luta a três no início de época”. Sobre o futuro do futebol nacional é taxativo. “Não só o Sporting, mas todos os clubes portugueses têm de ser formadores. Portugal tem sido vendedor de jovens jogadores, não está no topo das ligas e temos de ser um país vendedor”, concluiu.

Jardim parece aplicar bem esta “medicina” de que falou. Feita análise ao modo como o treinador português engendrou a sua equipa, apercebemo-nos da importância que atribuiu agora à gestão. Basta ver o modo como recuperou o colombiano Falcao (quando todos já ditavam prematuramente o fim da sua carreira) e com um Bernardo Silva a assumir-se cada vez mais um craque.

Não obstante, ainda mantém a confiança no jovem Mbappé, prodígio francês, que parece uma mistura de duas estrelas gaulesas que despontaram no principado: Thierry Henry e David Trezeguet. Embora existam outros casos no plantel, como o caso de Fabinho, que foi lateral no Rio Ave, mas que a maior parte das vezes no Mónaco joga no meio-campo. Esta é apenas a realidade mais próxima dos portugueses.

 

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