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Ramos-Horta ameaça virar-se para a China se acordo com Austrália sobre Greater Sunrise falhar

Este artigo tem mais de 3 anos

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje que o país vai procurar o apoio da China se a Austrália não apoiar o projeto de gasoduto que liga o Greater Sunrise à costa sul do país.

“Timor-Leste consideraria de forma favorável uma parceria com investidores chineses se outros parceiros do desenvolvimento se recusarem a investir na recolha de gás através de um gasoduto para Timor-Leste”, disse Ramos-Horta ao jornal Guardian Australia.

Nas declarações ao jornal australiano, o chefe de Estado explicou que se a Austrália e a Woodside Energy não apoiarem o projeto de gasoduto entre os campos petrolíferos Greater Sunrise e a costa sul da ilha, considerado “um objetivo estratégico nacional”, Timor-Leste vai “absolutamente” procurar ajuda das empresas chinesas.

“Timor-Leste ficaria à beira de um precipício financeiro se o Greater Sunrise não estiver operacional daqui a dez anos, por isso, muito em breve a liderança [de Timor-Leste] tem de tomar decisões… se for preciso, uma viagem à China”, disse o chefe de Estado ao jornal australiano.

As declarações de Ramos-Horta surgem poucos depois de o jornal Australian Financial Review ter noticiado que a Woodside Energy, a gigante companhia petrolífera australiana, pretende processar o gás em Darwin, o que para Díli é inaceitável.

Construir o gasoduto para a costa sul de Timor-Leste “é a única opção aceitável para o povo do país”, disse o ministro do Petróleo, Vitor da Conceição Soares, citado pelo jornal.

O conjunto de campos de petróleo e gás conhecido como Greater Sunrise está a 150 quilómetros a sul de Timor-Leste, com um valor que pode ultrapassar os 70 mil milhões de dólares, sensivelmente o mesmo em euros, e tem causado alguma tensão entre Díli e Camberra.

Em 2013, deu-se início a um longo processo judicial derivado das denúncias de um agente dos serviços de inteligência australianos ao tornar público a operação de espionagem levada a cabo no Palácio do Governo de Timor-Leste, em 2004.

As escutas ilegais, colocadas em vários gabinetes do Governo timorense, referem-se às negociações sobre os recursos petrolíferos e de gás no Mar de Timor, dando à Austrália vantagem no processo de negociação. O caso foi levado pelas autoridades timorenses ao Tribunal Arbitral de Haia, que acabou por dar razão a Timor-Leste.

O agente infiltrado, que denunciou o caso e que acabou por ser declarado culpado de violar as leis de sigilo, o que levou a pena suspensa de três meses em junho de 2020, ficou conhecido por “Testemunha K”.

Os dois países têm um acordo assinado sobre a delimitação marítima de Timor-Leste desde 2019, mas o processo tem sido lento.

 

*com Lusa

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