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Ex-funcionária acusada de desviar 201 mil euros da cooperativa António Sérgio conhece hoje acórdão

Este artigo tem mais de 7 anos

Uma antiga coordenadora do gabinete financeiro da Cooperativa António Sérgio, em Lisboa, acusada de ter desviado 201 mil euros desta entidade de utilidade pública, que transferiu para contas bancárias suas e do marido, conhece hoje o acórdão.

Na primeira e única sessão de julgamento, realizada em 06 de dezembro, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, a ex-funcionária da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) confessou “integral e sem reservas” todos os factos que constam da acusação do Ministério Público (MP).

A mulher explicou que em junho de 2011, confrontada com problemas familiares e financeiros, entrou “em desespero”, o que a levou a desviar, até fevereiro de 2013, mais de 200.000 euros, através da transferência de pagamentos a fornecedores para contas próprias.

Perante a confissão integral e sem reservas, realizaram-se nesse dia as alegações finais, nas quais a procuradora do MP pediu a condenação da arguida, mas a uma pena suspensa.

A leitura do acórdão está agendada para as 14:00.

Segundo o despacho de acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, entre junho de 2011 e fevereiro de 2013, a arguida, com 62 anos, determinou 130 transferências bancárias de contas desta cooperativa para contas tituladas por si, pelo marido e pela sogra, totalizando 201.021 euros.

A arguida, enquanto coordenadora do gabinete financeiro, de organização e recursos humanos, era responsável pelo registo e processamento contabilístico de faturas e notas de débito que estivessem a pagamento, pela elaboração do respetivo pedido de autorização do pagamento e pela preparação das operações de pagamento e liquidação dessas despesas.

Para o efeito, foi aberta uma conta bancária em nome da cooperativa num banco de Lisboa e atribuído à arguida nome de utilizador e ‘password’ de acesso à mesma, através do sistema ‘netbanking’, cabendo ainda à funcionária a consequente tramitação informática.

“Sucedeu que, desde 2011, a arguida Vitória Gouveia, aproveitando estas funções e atribuições, decidiu começar a desviar, diretamente para a sua esfera patrimonial, quantias pecuniárias que pertenciam à CASES”, sustenta o MP.

A acusação diz que a arguida começou então “a efetuar transferências bancárias” da conta da cooperativa “para contas bancárias tituladas por si e pelo seu marido, ou pela sua sogra”.

O esquema fraudulento, segundo a acusação, passava pela elaboração de pagamentos fictícios.

A acusação refere que, enquanto coordenadora do gabinete financeiro, a arguida “elaborava um documento com uma listagem de pagamentos a fazer, uns reais e outros fictícios, com indicação de fornecedores, número de fatura, valor” e o respetivo pedido de autorização.

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