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Stephen Hawking e o seu legado científico

Este artigo tem mais de 8 anos

A opinião de

Há uma curiosa coincidência no facto de Stephen Hawking ter nascido no mesmo dia da morte de Galileo Galilei (8 de Janeiro, exactamente 300 anos depois), e ter morrido no mesmo dia do nascimento de Albert Einstein (14 de Março, 139 anos depois). Os três transformaram a nossa visão do universo, e têm um lugar…

As contribuições científicas mais significativas de Stephen Hawking datam dos anos 70, embora a relevância de algumas delas só tenha sido notada bastante mais tarde, e outras não tenham ainda sido exploradas em detalhe. Nessa altura, a exploração matemática das consequências da Relatividade Geral era uma área particularmente activa, mas a aplicabilidade destes resultados ao nosso universo era incerta, pouco explorada e também pouco valorizada. A principal novidade da sua abordagem consistiu em incorporar alguns aspectos da física quântica nestes estudos, e em explorar detalhadamente as respectivas consequências.

Especificamente, os seus vários trabalhos permitiram que os buracos negros deixassem de ser apenas hipotéticas abstracções matemáticas e passassem a ser objectos físicos cujas propriedades (massa, raio, temperatura, …) podem ser exploradas através de observações astrofísicas. Um dos principais objectivos científicos do Extremely Large Telescope, o maior telescópio óptico-infravermelho do mundo que o Observatório Europeu do Sul — ESO está neste momento a construir no Chile, é precisamente testar alguns aspectos da física dos buracos negros através do estudo detalhado do buraco negro, com uma massa quatro milhões de vezes superior à do Sol, que se encontra no centro da nossa galáxia.

Hawking foi também um dos pioneiros no desenvolvimento de modelos para a origem e evolução do universo que combinam a Relatividade Geral e a mecânica quântica. Esta área de investigação é geralmente designada como gravitação quântica e o seu desenvolvimento tem sido mais lento. Um dos factores limitantes é a dificuldade em testar (experimentalmente ou usando observações astrofísicas) as previsões matemáticas destes modelos, mas progressos recentes em cosmologia observacional e em experiências em aceleradores de partículas (como o LHC no CERN) permitem esperar avanços significativos nos próximos anos.

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente Stephen Hawking, nos 7 anos que passei no seu grupo em Cambridge, primeiro como aluno (sou um dos seus ‘netos’ científicos, tendo o meu orientador de doutoramento sido orientado por ele) e depois como investigador, e em muitas visitas subsequentes. Para além dos aspectos que toda a gente conhece, recordo particularmente o seu talento para perceber qual a solução de um problema científico mesmo antes de fazer qualquer cálculo, e o seu entusiasmo pelo estudo do universo e pela divulgação da ciência.

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