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O que o desemprego mata em nós

Este artigo tem mais de 9 anos

A opinião de

Se a vida te dá limões, faz limonada. Pode parecer uma banalidade, mas serviu para dizer a uma amiga que tinha de andar para a frente. Acrescentei que o açúcar é o amor que tem à sua volta. Porque tem amor na sua vida e tomou sempre decisões em prol da família.

A minha amiga não tem 20 anos, está quase nos 40. É uma mulher inteligente, com curso, pós-graduações e outras valências. Saiu de Lisboa com a filha às costas por saber que já não tem idade para encontrar trabalho na grande cidade. Levou algum tempo a perceber isto, e foi à força de múltiplas desilusões antecedidas por cartas, envios de curriculum, entrevistas várias.

A empresa onde esteve faliu, fechou portas, deu-lhe os papéis para o fundo de desemprego, mas a minha amiga teimou que continuaria à procura de trabalho. Finalmente, como diz, caiu na real.

Sair de Lisboa podia ser melhor, tinha algum dinheiro de lado, a vida é mais barata, quem sabe se a sorte não lhe sorria lá para os lados da serra? Não sorriu.

A minha amiga conseguiu esta semana um emprego (ao fim de uns anos a bater às portas, a inventar). Vai passar recibo todos os meses, é um trabalho precário, sem regalias. Ela está contente por ter conseguido um trabalho. Vai receber 530 euros, mais coisa, menos coisa.

Ela está triste com o estado das coisas e com a sua vida. Acha que talvez não mereça mais, que talvez não seja competente em nada apesar de ter um curriculum que indica o contrário.

O desemprego mata a auto estima. A minha amiga, como tantos outros, merecia mais e melhor. Está farta de beber limonada.

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